quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Por que ter igual consideração para com os animais Humanos e Não Humanos?




Ser capaz de sentir dor ou prazer é um pré-requisito necessário para pensarmos nos interesses individuais de qualquer ser. Não faria sentido falar dos interesses de seres que não podem sofrer porque nenhuma ação que podemos tomar poderá resultar em aumento do seu bem estar. Nós humanos, e outros animais, tais como porcos, vacas, cães, aves, dentre outros, somos iguais na dor, pois, a área do nosso sistema nervoso, ligada a percepção da dor (diencéfalo) é antiga em termos evolutivos e é equivalente a de outros animais, especialmente mamíferos e aves. Se somos iguais na dor, haveria justificativa moral para não se considerar a dor de outro ser mesmo que de outra espécie?

A igualdade exige que o nosso sofrimento seja igualmente considerado em comparação ou outro sofrimento semelhante, ainda que de um animal não humano. Qualquer outra característica que tomarmos para pensar o princípio da igualdade na consideração de interesses seria arbitrária, pois se escolhermos a racionalidade como marcador, excluímos da nossa reflexão ética a consideração de espécies diferentes, mas não só, também excluímos pessoas com deficiência mental grave,  se escolhermos a cor da pele excluímos pessoas de cor diferente a nossa, ao passo que a capacidade de sofrer é um imperativo para se deduzir quaisquer interesses.

Algumas pessoas ficam ofendidas ao serem colocadas lado a lado com racistas e sexistas por privilegiarem os interesses de sua própria espécie, sem a menor preocupação com o sofrimento de animais não humanos decorrentes de suas ações. No entanto, isso ocorre por que:
Os racistas violam o princípio da igualdade, atribuindo maior peso aos interesses dos membros da sua própria raça quando existe um conflito entre os seus interesses e os interesses daqueles pertencentes a outra raça. Os sexistas violam o princípio da igualdade ao favorecerem os interesses do seu próprio sexo. Da mesma forma, os especistas permitem que os interesses da sua própria espécie dominem os interesses maiores dos membros das outras espécies. O padrão é, em cada caso, idêntico. (Singer, 1975).

Um exemplo de violação da igualdade ao permitir que os interesses da própria espécie dominem os interesses maiores de membros de outras espécies está na alimentação. A menos que fôssemos homens das cavernas e necessitássemos de caçar para sobrevier, não precisamos de carne para viver. Atualmente a diversidade de alimento é grande, é possível se alimentar sem carne e obter todos os nutrientes necessários a uma alimentação saudável. Mesmo nutrientes como a vitamina B12, só encontrada naturalmente em fontes animais, pode ser sintetizada e é utilizada para enriquecer alimentos de origem vegetal, o ovo que em sua produção não estiver envolvido sofrimento animal também pode ser consumido. Ao se comer carne, obtemos os mesmo benefícios que teríamos se utilizássemos outros tipos de alimentos, ao passo que o animal criado em condições precárias, perde a vida com sofrimento, basta pesquisar como esses animais podem ter seu corpo manipulado para engordar e produzir mais carne ou leite, ou visitar um matadouro. Neste exemplo é obvio a disparidade, o interesse do ser humano é um luxo gastronômico, ao passo que o interesse do animal diz respeito diretamente ao seu bem estar e a preservação de sua vida.

Porque falamos de igualdade de interesses e não de direitos? Tomemos o exemplo do movimento feminista, as mulheres tem o interesse no direito de abortar uma gravidez indesejada, não faria sentido conceder o mesmo direito aos homens, por esse mesmo motivo devemos considerar que é do interesse de cães não serem abandonados nas ruas, pois isso lhes causa sofrimento, mas não faz sentido defender que possuem o direito de vestirem-se como nós, pois isso não tem implicações para o seu bem estar como tem para os humanos.

Dentre os obstáculos a um movimento de libertação animal, assim como o movimento negro, das mulheres e outros, está à ideia de nós seres humanos somos fundamentalmente distintos de outras espécies e a nossa linguagem carrega esta ideia equivocada, consideramos animais, desde chimpanzés a ostras, e pessoas, nós seres humanos, mesmo que estejamos em termos evolutivos muito mais próximos do chimpanzé do que o chimpanzé das ostras. Mesmo que identificássemos um marcador claro entre nós e os outros animais, isto em nada justificaria ignorar seu sofrimento e lhes infligir dor desnecessária. Outro obstáculo está no fato dos animais não humanos, apesar de manifestarem sua dor de forma muito semelhante a nossa, não poderem se organizar para se defenderem da opressão, soma-se a isso o fato de todos os outros seres passíveis de interesses, todos nós, sermos beneficiários diretos da opressão, o que espero não nos impeça de ampliarmos nossa consciência ética e termos igual consideração para com os interesses de outras espécies.

Referências: 

Libertação Animal de Peter Singer.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Algumas questões sobre uma Ética não Especista.



Especismo significa privilegiar os membros da nossa espécie em nossas decisões éticas, é considerar que existe uma linha divisória clara entre nós e as outras espécies e que isso nos permite ignorar o sofrimento que provocamos em outros animais a fim de obter benefícios.

 “Entre os fatores que dificultam o despontar da preocupação pública relativamente aos animais, talvez o mais difícil de ultrapassar seja o pressuposto de que "os seres humanos vêm em primeiro lugar" e que qualquer problema relativo a animais não pode ser comparado, enquanto questão moral ou política grave, com os problemas dos seres humanos. Pode dizer-se muita coisa sobre este pressuposto. Em primeiro lugar, ele constitui, em si mesmo, um indicador de especismo. Como pode alguém que não efetuou uma análise séria da questão saber que o problema é menos grave do que os problemas do sofrimento humano? Só se pode afirmar que se sabe isto se se supuser que os animais não interessam verdadeiramente e portanto, por muito que eles sofram, o seu sofrimento é menos importante do que o sofrimento de um ser humano. Mas dor é dor, e a importância de evitar a inflicção de dor desnecessária não diminui só porque o ser que sofre não pertence à nossa espécie. O que pensaríamos se alguém dissesse "Os brancos vêm em primeiro lugar" e, portanto, a pobreza em África não constitui um problema tão grave como a pobreza na Europa?” trecho extraído do livro Libertação Animal escrito por Peter Singer. 

Porque  privilegiar os membros de nossa espécie é incoerente? Ao longo dos tempos buscou-se traçar uma linha divisória que nos distinguisse absolutamente dos outros animais como, por exemplo: ser dotado de espírito, utilizar utensílios, fabricar utensílios, possuir linguagem. A existência de alma ou espíritos nunca foi comprovada cientificamente, os outros critérios todos foram refutados, chimpanzés são capazes de fabricar utensílios e aprender a linguagem dos surdos, existem evidências de que golfinhos possuem linguagem complexa própria. Atualmente, a linha divisória tem sido considerar que seres humanos são autoconscientes, possuem percepção temporal de passado e futuro, são autônomos capazes de fazer escolhas, mas porque sermos dotados de autoconsciência, percepção temporal e autonomia justifica ignorar o sofrimento dos seres não dotados dessas características e usá-los sem preocupações éticas? Pessoas com deficiência física ou mental muitas vezes não são autoconscientes, não possuem um percepção tempo passado ou futuro, não são autônomas e nem por isso diríamos que poderiam ser usadas em experiências científicas para o bem do resto da humanidade. Justificar o sofrimento dos animais não humanos na indústria alimentícia e nas pesquisas científicas com base no critério de pertencerem à outra espécie é como justificar o sofrimento dos negros escravizados por pertencerem a uma raça distinta.

 Não privilegiar a nossa espécie fará com que tratemos seres humanos deficientes ou diferentes como tratamos atualmente os animais? Essa pergunta é interessante por que há o reconhecimento de que a forma como tratamos os outros animais não é boa. Ao reconhecermos que não há um abismo entre os animais humanos e não humanos ao contrário, devemos elevar o estatuto dos outros animais reconhecendo seus direitos ao invés de destituir os direitos humanos alcançados.

Sinto mais afeto por humanos do que por vacas, basear as decisões éticas com base no afeto é justificado? Basear nossas decisões éticas somente com base no afeto pode trazer sérias conseqüências e incoerências, muitas pessoas que gostam de cães ficam horrorizadas ao saberem que existem países em que as pessoas se alimentam de cães e que inclusive que eles sofrem com uma morte dolorosa, mas não se preocupam com o sofrimento de porcos para sua própria alimentação, o que essas pessoas diriam se um alguém preferisse salvar seus cães de uma enchente a seus vizinhos porque gostam dos seus cães e mal conhecem seus vizinhos? Ou o que diriam se os homofôbicos justificassem seu comportamento por que não gostam de gays?

 Não podemos sentir a dor do outro, então como sabemos que os animais sentem dor? Da mesma forma que sabemos que outros humanos sentem dor, também não podemos sentir a dor de outro ser humano, mas, em primeiro lugar, podemos deduzi-la pelo seu comportamento, mesmo depois de aprender a falar os humanos reagem de forma semelhante aos outros animais diante da dor. Em segundo lugar porque possuímos um Sistema Nervoso Central, cujas áreas relacionadas à percepção da dor são antigas em termos evolutivos e semelhante à de outros mamíferos e aves.

Se considerarmos que os animais sentem dor, deveríamos considerar que as plantas também sentem dor? As plantas não possuem Sistema Nervoso e por isso não são capazes de sentir dor.

Se os animais se comem uns aos outros, por que razão não devemos comê-los? Está é conhecida como a objeção de Benjamin Franklin, que abandonou o vegetarianismo ao ver que havia peixes menores no interior de um peixe maior, mas, ele também disse que só encontrou essa justificativa quando sentiu o cheiro de peixe frito e ainda acrescentou que a vantagem de ser racional é que podemos encontrar razões para tudo o que nos convém. Este tipo de objeção também é incoerentemente feita por pessoas que consideram os outros animais umas simples bestas e ainda assim procuram razões para o seu comportamento moral nessas “bestas”. Não podemos tomar nossas decisões baseados em animais que não possuem outra escolha, ao decidirmos não comer carne podemos optar por outros alimentos com os mesmo nutrientes e até mesmo por vitaminas sintéticas como é o caso da vitamina B12 que em sua forma natural só é encontrada em derivados animais. Atualmente existe até tecnologia para fazer carne sintética para quem não não quer se desfazer desse luxo gastronômico. Formas alternativas a animais em pesquisas e aprendizagem foram criadas, mas ainda são pouco utilizadas na maioria das universidades. Outros supões que exista uma lei natural em que o mais forte deve comer o mais fraco. Em primeiro lugar não vivemos na selva em que precisamos caçar para sobreviver, a indústria da carne não é fruto de uma lei natural. Em segundo lugar, mesmo que existisse tal lei natural isso não significaria que fosse um bem portar-se de acordo com essa suposta lei. E em terceiro lugar, nada nos leva a presumir que uma se um lei natural como essa existisse não possa ser aperfeiçoada. É válido lembrar que o machismo também já foi justificado com a suposição de que as mulheres eram naturalmente designadas apenas reprodução e criação dos filhos. 

Hitler era vegetariano, então os vegetarianos são nazistas e representam um perigo para humanidade? É no mínimo discutível que Hitler era vegetariano, um de seus biógrafos escreveu: “Ele havia feito tais observações anteriormente, e havia flertado com a idéia do vegetarianismo, mas, desta vez, de acordo com Frau Hess, ele estava falando sério. Daquele momento em diante, Hitler nunca comeu nenhum outro pedaço de carne com exceção de crostas de fígado.” Vegetarianos não comem fígado, este mito se deve mais ao desconhecimento dos biógrafos sobre o que se trata uma dieta vegetariana. Mesmo que Hitler fosse vegetariano tal argumento não tem o menor fundamento, Hitler também era teísta isso faz com que os teístas sejam um perigo para humanidade? 

 Então em que poderíamos basear nossas decisões éticas sem sermos especistas? Refletindo sobre as conseqüências de nossas ações considerando igualmente o interesse de animais humanos e não humanos, bem como as conseqüências de nossas ações sobre o planeta. Pinker, apoiado do conceito de Singer sobre o círculo expansível de empatia explica que cada vez mais expandimos nosso círculo de empatia, deixamos de nos preocuparmos somente com os membros de nossa família para nos preocuparmos com os membros de nossa tribo, deixamos de nos preocuparmos somente com os membros de nossa raça ou país e nos preocupamos com toda humanidade e assim criamos os direitos humanos, agora estamos cada vez mais próximos de considerarmos também o bem estar dos animais não humanos e a preservação do nosso planeta. 

 Referências:

Porque Hitler não era vegetariano?
 http://anarquismopiracicabaeregiao.wordpress.com/2010/06/29/por-que-hitler-nao-era-vegetariano/

Ética Prática de Peter Singer.
 http://xa.yimg.com/kq/groups/2106376/600820952/name/Peter%2BSinger%2B-%2B%25C3%2589tica%2BPr%25C3%25A1tica.pdf

Stiven Pinker fala sobre violência.
http://www.ted.com/talks/lang/pt-br/steven_pinker_on_the_myth_of_violence.html

Linguagem humana e linguagem de golfinhos têm semelhanças
http://ceticismo.net/2009/08/13/linguagem-humana-e-linguagem-de-golfinhos-tem-semelhancas/

 Libertação Animal.
 http://images.suelisol.multiply.multiplycontent.com/attachment/0/R3WbuwoKCnMAAEpEzzI1/Animal%20Liberation%20-%20Peter%20Singer.pdf?key=suelisol:journal:394&nmid=74860188

Was Catholic Hitler "Anti-Christian"?
http://ffrf.org/legacy/fttoday/2002/nov02/carrier.php

Espécies não existem! Como Assim?
 http://bulevoador.com.br/2010/05/12166/

segunda-feira, 11 de julho de 2011

O cuidador de idosos




“Aquele que envelhece e que segue atentamente esse processo poderá observar como, apesar de as forças falharem e as potencialidades deixarem de ser as que eram, a vida pode, até bastante tarde, ano após ano e até ao fim, ainda ser capaz de aumentar e multiplicar a interminável rede das suas relações e interdependências e como, desde que a memória se mantenha desperta, nada daquilo que é transitório e já se passou se perde.” (Hermann Hesse).


A população brasileira envelhece e com isso aumenta a demanda por pessoas capacitadas para exercer a função de cuidador de idosos, por esse motivo vamos falar um pouco do papel deste profissional em instituições asilares e nas famílias. Cuidar é um termo que logo nos remete a dedicação, cautela, atenção, carinho e responsabilidade para com o outro, portanto é um ato de amor.

De acordo com a classificação brasileira de ocupações, o cuidador é alguém que “cuida a partir dos objetivos estabelecidos por instituições especializadas ou responsáveis diretos, zelando pelo bem-estar, saúde, alimentação, higiene pessoal, educação, cultura, recreação e lazer da pessoa assistida” (Guia Prático do Cuidador, 2008). Deste modo, não é apenas cuidar da saúde física e das necessidades básicas, ser cuidador implica estar atento às necessidades, inclusive emocionais, daqueles que, em muitos casos, mal podem se comunicar. É estar disponível e atento a falas e gestos, é aceitar o outro como ele é com suas dores e limitações.

Não são todas as pessoas aptas para desempenhar o papel de cuidador. Um bom cuidador não faz para o idoso, faz com o idoso, e está sempre pronto para identificar o que ele consegue realizar sozinho em matéria de autocuidado, isso é importante para não atropelar o idoso e para estimular a sua autonomia e autoestima. Ser carinhoso é desejável, pessoas idosas se beneficiam de afeto em forma de contato físico, mas não se deve esquecer que estamos diante de uma pessoa idosa e não de uma criança, a “infantilização” provoca dependência, regressão e desqualifica o idoso, preconceitos como: “depois de velho voltamos a ser crianças” devem ser desfeitos, os idosos são pessoas adultas como nós, porém um pouco mais envelhecidas. É importante também incluir a pessoa idosa nas conversas, não é porque ele possui limitações físicas ou mentais que não possua nenhuma compreensão.

Algumas das funções dos cuidadores de idosos de acordo com o Guia Práttico do Cuidador distribuído pelo Ministério da Saúde são: atuar como elo entre a pessoa cuidada, a família e a equipe de saúde; escutar, estar atento e ser solidário com a pessoa cuidada; ajudar nos cuidados de higiene; estimular e ajudar na alimentação; ajudar na locomoção e atividades físicas, tais como: andar, tomar sol e exercícios físicos; estimular atividades de lazer e ocupacionais; realizar mudanças de posição na cama e na cadeira, e massagens de conforto; administrar as medicações, conforme a prescrição e orientação da equipe de saúde; comunicar à equipe de saúde sobre mudanças no estado de saúde da pessoa cuidada; além de outras situações que se fizerem necessárias para a melhoria da qualidade de vida e recuperação da saúde dessa pessoa.

Exercer a função de cuidador pode fazer emergir sentimentos contraditórios decorrentes da relação do cuidador com a pessoa cuidada como, por exemplo: raiva, culpa, cansaço, estresse, irritação, tristeza, medo da morte e da invalidez. È importante que o cuidador procure aceitar e entender seus sentimentos para que então possa se automonitorar, no sentido de não deixar que interfiram negativamente no serviço prestado.
Algumas situações podem surgir e dificultar o trabalho do cuidador, quando um idoso se recusa a comer ou a tomar banho, por exemplo, neste caso é importante saber lidar com frustrações e procurar entender o que leva o idoso a este comportamento, também é preciso estar disposto à negociação como mesmo.

“O “não”, “não quero” ou “não posso”, pode indicar várias coisas, como por exemplo: não quero ou não gosto de como isso é feito, ou agora não quero, vamos deixar para depois? O cuidador precisa ir aprendendo a entender o que essas respostas significam e quando se sentir impotente ou desanimado, diante de uma resposta negativa, é bom conversar com a pessoa, com a família, com a equipe de saúde. Também é importante conversar com outros cuidadores para trocar experiências e buscar alternativas para resolver essas questões.” Manuel do Cuidador.


Geralmente, nas famílias, a responsabilidade para com o idoso que necessita de cuidado recai sobre um dos membros, ocorrem mudanças na dinâmica familiar que podem provocar desentendimentos, para evitar o estresse e cansaço é importante que outras pessoas da família participem deste processo. O cuidador sobrecarregado pode sofrer com o cansaço físico, com a depressão, o abandono do trabalho e com alterações de sua vida conjugal e familiar, ele necessita de tempo para se cuidar e por esse motivo precisa contar com a ajuda de outras pessoas.

Com relação aos dispositivos sociais para o auxilio do cuidador de idosos, estes podem promover e participar de grupos com outros cuidadores para a troca de experiências. Os indivíduos ou as famílias que estão em situação de risco ou vulnerabilidade social devem contar com o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), aqueles que tiveram seus direitos violados como: ocorrência de abandono, maus tratos físicos, e/ou psíquicos, abuso sexual, pessoas em situação de rua, dentre outras, devem contar com o CREAS ( Centro de Referência Especializado de Assistência Social) que auxilia na eliminação das infrações aos direitos humanos e busca ampliar a autonomia e a capacidade de enfrentamento das pessoas que procuram o serviço.

As pessoas idosas que não possuem rendimento mínimo para arcar com a sua sobrevivência possuem o direito a Proteção Social Básica, isto é, um salário mínimo por mês a ser requerido nas agências do INSS, possui esse direito às pessoas 65 anos ou mais e pessoas com deficiência, quem não tem direito à previdência social, pessoa com deficiência que não pode trabalhar e levar uma vida independente e renda familiar inferior a 1/4 do salário mínimo. Além disso, o idoso não necessita de intermediário para requerer e receber o benefício e é importante ressaltar que tanto as pessoas idosas quanto os cuidadores devem procurar conhecer o Estatuto do Idoso que foi instituído em 2003 e regula os direitos das pessoas com mais de 60 anos.

Referências:

Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Guia prático do cuidador. Brasília: Ministério da Saúde, 2008. 64 p. Brasil. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_pratico_cuidador.pdf>.

Ministério da Saúde. Estatuto do Idoso. Brasília: Ministério da Saúde, 2003. 70 p. ISBN 85-334-0740-8 1. Saúde do Idoso. 2. Legislação. I. Brasil. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_pratico_cuidador.pdf>.

Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS. Disponível em:
http://www.saoluis.ma.gov.br/semcas/frmPagina.aspx?id_pagina_web=308

Centro de Referência de Assistência Social – CRAS. Disponível em: http://www.mds.gov.br/assistenciasocial/protecaobasica/cras

Veja também:

1.Violência contra idosos é responsável por 27% das internações no SUS

2.O Homem Velho (Caetano Veloso)

terça-feira, 22 de março de 2011

FILOSOFIA DA LINGUAGEM – UMA ENTREVISTA COM JOHN SEARLE



SEARLE, John. Filosofia da Linguagem: uma entrevista com John Searle. Revista Virtual de Estudos da Linguagem - ReVEL. Vol. 5, n. 8, março de 2007. Tradução de Gabriel de Ávila Othero. ISSN 1678-8931 [www.revel.inf.br].

FILOSOFIA DA LINGUAGEM – UMA ENTREVISTA COM
JOHN SEARLE
John Searle
Universidade da Califórnia, Berkeley


ReVEL – O que é a Filosofia da Linguagem? Como ela se relaciona com a Lingüística e com a Filosofia?
Searle – A questão mais geral em Filosofia da Linguagem é a seguinte: como exatamente a linguagem se relaciona com a realidade? Quando faço barulhos com minha boca, estou tipicamente fazendo uma declaração, uma pergunta, um pedido ou uma promessa, ou estou ainda desempenhando um outro tipo de ato de fala, um tipo que Austin batizou de ato ilocucionário. Como isso é possível, já que tudo o que sai da minha boca não passa de um conjunto de sopros
acústicos? Outra maneira de fazer essa mesma pergunta é assim: o que exatamente é o significado? Como um falante diz algo e torna esse algo significativo pelo que diz? Qual é o significado das palavras em uma língua, onde as palavras têm um significado convencional? O motivo pelo qual as perguntas “como a linguagem se relaciona com a realidade?” e “o que é o significado?” são variantes da mesma questão é que a função do significado é relacionar a linguagem com a realidade. Ao responder a essas perguntas, a Filosofia da Linguagem tem de lidar com todo um conjunto de outras questões, tais como: o que é a verdade? O que é a
referência? O que é a lógica? O que são relações lógicas? O que é o uso da língua e como o uso se relaciona ao significado? E por aí vai, com um grande número de outras perguntas, tanto tradicionais como novas. Não há uma linha divisória bem delimitada entre a Filosofia da Linguagem e a Lingüística, mas em geral pode-se dizer que a Lingüística lida com fatos reais
empíricos sobre as línguas humanas. A Filosofia da Linguagem também lida com fatos empíricos, mas geralmente a proposta é atingir certas características universais subjacentes do significado e da comunicação e, especialmente, analisar a estrutura lógica da referência, da necessidade de verdade, dos atos de fala, etc. E essas análises não são dadas simplesmente analisando fatos sobre esta ou aquela língua particular. As relações da Filosofia da Linguagem com a Filosofia em geral são também bastante complexas. Por um longo tempo, muita gente pensou que toda a
Filosofia era, na verdade, a Filosofia da Linguagem, porque se pensava que todas as questões filosóficas poderiam ser resolvidas analisando a linguagem. Acredito que muito poucas pessoas ainda pensam assim, mas a Filosofia da Linguagem continua sendo uma parte importante da Filosofia em geral. O motivo por que a Filosofia da Linguagem não é central como já foi há,
digamos, cinqüenta anos, é que muitos filósofos – eu mesmo, por exemplo – passaram a pensar que a Filosofia da Linguagem é, em si mesma, dependente de resultados da Filosofia da Mente. A linguagem é uma extensão de capacidades biológicas fundamentais da mente humana.
ReVEL – Qual é a relação entre linguagem e pensamento?
Searle – É impossível responder a essa pergunta em espaço tão curto, mas certas considerações gerais podem ser mencionadas. Muitas pessoas acham que é impossível ter pensamento sem linguagem, mas isso está claramente errado. Temos agora uma enorme quantidade de evidências de que os animais são capazes de apresentar pelo menos algumas formas simples de processos de
pensamento. No entanto, formas mais complexas de pensamento exigem algo como a linguagem humana. Então, os seres humanos têm pensamentos de uma maneira que os animais não têm. Um animal poderia sair de um labirinto de uma maneira que mostraria que ele pode compreender a diferença entre um, dois, três e quatro caminhos, mas sem a linguagem, um animal não pode saber que a raiz quadrada de 625 é 25. Existe, literalmente, um número infinito de pensamentos que só podem ser expressos com a linguagem, e a área de pensamento que pode ser feita sem a linguagem é bastante restrita.
ReVEL – O senhor teve grande participação no desenvolvimento da teoria dos atos de fala e nas origens da Pragmática. Como o senhor vê suas contribuições hoje?
Searle – Eu não gosto muito do termo “Pragmática”, porque ele sugere uma distinção rigorosa entre Pragmática e Semântica, e eu não acredito que essa distinção possa ser feita. Contudo, eu acredito que o estudo dos atos de fala e o estudo do uso da linguagem é absolutamente essencial para a Lingüística e para a Filosofia da Linguagem. Acredito que não seja possível começar a
compreender o que é a linguagem ou como ela funciona sem ver que a unidade fundamental do significado é o que o falante quer dizer ao produzir um enunciado e que a unidade fundamental de enunciados significativos é o ato de fala, especificamente, o ato ilocucionário, como referido originalmente nos primeiros trabalhos de Austin.
ReVEL – O seu argumento do “quarto chinês” contra a Inteligência Artificial forte já é clássico. Mas há várias críticas a ele. Quais são os principais argumentos dos críticos e como o senhor responde a eles?
Searle – Existem tantos argumentos contra o argumento do quarto chinês que eu não conseguirei resumi-los aqui. Todos eles falham basicamente pela mesma razão: eles falham em compreender o que é um computador digital. Um computador digital, como descrito originalmente por Alan Turing, é um mecanismo que manipula dois tipos de símbolos, normalmente imaginados como zeros e uns. Qualquer símbolo, no entanto, servirá. O motivo por que tal mecanismo falha em produzir, sozinho, consciência, intencionalidade e significado é que as propriedades do mecanismo são definidas puramente de maneira formal ou sintática, e a sintaxe dessas operações não é, por si só, suficiente para garantir a presença de semântica ou de significado. No quarto chinês, o homem tem toda a sintaxe que os programadores de computador
podem fornecer a ele, mas ele ainda não sabe o que as palavras significam. E se ele não compreende as palavras com base na implementação do programa de compreensão, então nenhum outro computador digital irá compreender sozinho com essa base, porque nenhum computador digital, sendo justamente um computador digital, tem algo que esse homem não tem.
ReVEL – Como um experiente filósofo, o senhor poderia sugerir algumas leituras essenciais na área de Filosofia da Linguagem?
Searle – Para uma boa coleção geral de artigos sobre a Filosofia da Linguagem,
veja os seguintes:
Austin, How to Do Things with Words, Cambridge, MA: Harvard University
Press, 1962.
Grice, Studies in the Way of Words, Cambridge: Harvard University Press,
1989.
Martinich, A. P, The Philosophy of Language 4th edition, Oxford University
Press, 2001.
Searle, Expression and Meaning, Cambridge University Press, 1979.
Searle, Speech Acts, Cambridge University Press, 1969.

Fonte: http://www.pessoal.utfpr.edu.br/paulo/revel_8_entrevista_john_searle.pdf

sexta-feira, 11 de março de 2011

Bendita dúvida!

Fixar a mente em uma meta única pode ser contraproducente; com certeza, traçar objetivos é importante, mas questioná-los pode ser decisivo para obter sucesso

Autor:Way Herbert

Manter o foco para atingir objetivos. Essa é uma das orientações que mais se ouvem nos cursos de treinamento de profissionais das mais diversas áreas e se leem em livros de gestão empresarial e até nos manuais de autoajuda. É preciso estabelecer metas claras, mas, principalmente, é fundamental ter força de vontade. Este último conceito, aliás, é bastante enfatizado nos programas de recuperação de dependentes químicos, nos quais as pessoas devem se comprometer com o desejo de se manter afastadas da adicção. Ou seja: é preciso estar disposto a se recuperar – e focar nesse ponto.

Mas agora talvez a ciência possa ajudar. O psicólogo Ibrahim Senay, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, descobriu uma forma intrigante de criar em laboratório uma versão de obstinação e disposição – e explorar possíveis conexões com a intenção, motivação e estabelecimento de metas. Ele identificou algumas características necessárias não só para abstinência de longo prazo, mas também para atingir qualquer objetivo pessoal, desde perder peso até aprender a tocar violão.
Senay conseguiu esse resultado explorando a “autoconversação”. A acepção do termo é exatamente essa: trata-se daquela voz interna que articula aquilo que você está pensando, expondo em detalhes opções, intenções, esperanças, medos etc. O pesquisador acredita que a forma e o sentido dessa conversa consigo mesmo expressos na estrutura da frase podem ter grande importância na formulação de planos e ações. Além disso, a autoconversação deve ser uma ferramenta para revelar intenções e reafirmar o que desejamos.

Senay testou esse conceito com um grupo de voluntários que trabalhavam com anagramas – por exemplo, mudando a palavra “prosa” para “sopra, ou “fala” para “alfa”. Mas, antes de começar a tarefa, metade dos voluntários era instruída a ponderar se de fato queria e achava que cumpriria a tarefa, enquanto a outra parte simplesmente era informada de que ia trabalhar nos anagramas em alguns minutos. A diferença é sutil, mas marcante, pois ao começarem a atividade os primeiros voltavam seu pensamento à curiosidade (não só em relação à tarefa, mas também à própria disposição em realizá-la); já os integrantes do segundo grupo basicamente se predispunham a cumprir o que lhes seria pedido. Seria a mesma diferença entre se perguntar “será que vou fazer isso?” e afirmar “eu vou fazer isso”.

Os resultados foram intrigantes. As pessoas que antes haviam se questionado sobre o desejo de participar do trabalho se mantiveram mais criativas, motivadas e interessadas nele, completando um número significativamente maior de anagramas, em comparação ao dos voluntários que apenas foram instruídos a cumprir a atividade. Por que as intenções de pessoas tão determinadas – e sem muito espaço para questionamentos – sabotam metas preestabelecidas em vez de favorecê-las? “Talvez porque as perguntas, por sua própria natureza, transmitem a ideia de possibilidade e liberdade de escolha, e meditar sobre elas pode estimular sentimentos de autonomia e motivação intrínseca, criando uma mentalidade que favorece o sucesso”, sugere Senay. Ou seja: saber que não somos “obrigados” a algo nos coloca numa posição de maior responsabilidades sobre nossos atos.

Senay elaborou outro experimento para analisar a questão de forma diferente: recrutou voluntários sob o pretexto de que estavam sendo convocados para um estudo sobre caligrafia. Alguns deveriam escrever as palavras “Eu quero ” várias vezes; e outros, “Será que eu quero?”. Depois de preparar os voluntários com essa falsa tarefa de caligrafia, Senay pediu que trabalhassem nos anagramas. E, exatamente como no caso anterior, os participantes mais determinados (que haviam escrito a frase afirmativa) tiveram pior desempenho que aqueles que tinham redigido a sentença interrogativa.

Pouco depois, Senay realizou mais uma versão desse experimento, mas dessa vez claramente relacionado a hábitos de vida saudável. Em vez de propor o uso de anagramas, avaliou a intenção dos voluntários de iniciar e manter um programa de exercícios físicos. Nesse cenário real ele obteve o mesmo resultado básico: aqueles que escreveram a frase interrogativa “Será que eu quero?” mostraram comprometimento muito maior com a prática regular de exercícios do que os que escreveram no início do teste a frase afirmativa “Eu quero.”.

Além disso, quando foi perguntado aos voluntários se achavam que estariam mais motivados a ir à academia com maior frequência, os que foram preparados com a frase interrogativa justificaram declarando, por exemplo: “Quero cuidar mais de minha saúde”. Aqueles que escreveram a frase afirmativa deram explicações como: “Porque me sentiria culpado ou envergonhado de mim mesmo se não o fizesse”, mostrando-se mais perseguidos e culpados do que realmente comprometidos.

Esta última descoberta é crucial: indica que pessoas mais flexíveis, com menor receio de rever os próprios conceitos, estavam mais intimamente motivadas, buscando uma inspiração positiva interior – e não tentando prender-se a um padrão rígido, autoimposto em algum momento. Essa inspiração interna faltou aos aparentemente “mais decididos”, o que explica, pelo menos em parte, a fraca determinação para futuras mudanças, ainda que vantajosas a médio prazo. Considerando a recuperação de dependentes químicos e o autoaperfeiçoamento, em geral, aqueles que declaravam sua força de vontade sem contestações estavam, na verdade, fechando a mente e estreitando sua visão de futuro. Aqueles que se perguntavam sobre os rumos a seguir e conjecturavam possibilidades reafirmavam sua escolha – e se comprometiam com ela.

Way Herbert é diretor da Association for Psychological Science, nos Estados Unidos.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/bendita_duvida_.html

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Experiências com animais: do livro Ética Prática de Peter Singer.




"A área onde o especismo pode ser estudado com maior clareza talvez seja a da utilização de animais em experiências. Neste caso, a questão surge com toda a crueza, porque os cientistas procuram muitas vezes justificar as experiências com os animais defendendo que as experiências nos levam a descobertas sobre a humanidade; se assim é, o cientista tem de concordar que os animais humanos e não humanos são semelhantes em aspectos cruciais. Por exemplo, se forçar um rato a escolher entre morrer de fome e atravessar uma grelha electrificada para obter comida nos diz algo sobre as reacções dos seres humanos ao *stress*, temos de pressupor que o rato sente *stress* neste tipo de situação.

As pessoas pensam por vezes que todas as experiências com animais servem para objectivos médicos vitais e se podem :, justificar com base na ideia de que aliviam mais sofrimento do quer aquele que causam. Esta crença confortável está errada. As empresas farmacêuticas testam novos champôs e cosméticos que tencionam lançar no mercado deitando gotas de soluções concentradas desses produtos nos olhos de coelhos, um teste conhecido pelo nome de "teste de Draize". (A pressão exercida pelos movimentos de libertação dos animais levou diversas empresas de cosméticos a abandonar esta prática. Descobriu-se então um teste alternativo que não recorre aos animais. Apesar disso, muitas empresas, incluindo algumas das maiores, ainda continuam a efectuar o teste de Draize.) Os aditivos alimentares, incluindo corantes e conservantes artificiais, continuam a ser testados por aquilo a que se chama o _D_L50 -- um teste concebido para determinar a "dose letal" ou o nível de consumo que provoca a morte de 50 |" dos animais da amostra. Neste processo, quase todos os animais ficam muito doentes antes de alguns morrerem por fim e outros sobreviverem. Estes testes não são necessários para evitar o sofrimento humano: mesmo que não houvesse alternativa à utilização de animais para ensaiar a segurança de certos produtos, já possuímos champôs e corantes alimentares que cheguem. Não há necessidade de desenvolver novos produtos que podem ser perigosos.

Em muitos países, as forças armadas efectuam experiência atrozes em animais que raramente se tornam conhecidas do público. Para citar apenas um exemplo: no Instituto de Radiobiologia das Forças Armadas dos Estados Unidos, em Bethesda, no estado de Maryland, treinaram-se macacos *rhesus* para correrem no interior de uma grande roda. Se abrandarem demasiado a corrida, a roda também desacelera e os macacos recebem um choque eléctrico. Depois de os macacos estarem treinados para correr durante grandes períodos de tempo recebem doses letais de radiação. Então, enquanto têm náuseas e vomitam, são forçados a continuar a correr até caírem. A ideia deste teste é proporcionar informações sobre a capacidade dos soldados para continuar a lutar após um ataque nuclear.

Nem todas as experiências efectuadas nas universidade podem ser defendidas com base na ideia de que aliviam maior sofrimento do que aquele que infligem. Três investigadores da :, Universidade de Princeton mantiveram 256 ratos jovens sem comer nem beber até morrerem. Concluíram que os ratos jovens em condições de sede e de fome fatais são muito mais activos que os ratos adultos normais que recebem comida e água. Numa série célebre de experiências que prosseguiram por mais de quinze anos, H. F. Harlow, do Centro de Investigações sobre os Primatas, de Madison, estado de Wisconsin, Estados Unidos, criou macacos em condições de privação material e de isolamento total. Descobriu que desta forma podia reduzir os macacos a um estado em que, quando colocados entre macacos normais, ficavam acocorados a um canto num estado de depressão e medo constantes. Harlow também produziu macacos tão neuróticos que esmagavam o rosto dos seus bebés no chão e o esfregavam para a frente e para trás. Embora o próprio Harlow já não esteja vivo, alguns dos seus antigos alunos de outras universidades americanas continuam a efectuar variantes das suas experiências.

Nestes casos, e em muitos outros como estes, os benefícios para a humanidade são ou nulos ou incertos, enquanto as perdas para os membros de outras espécies são certas e reais. Daqui que as experiências violem o princípio da igualdade na consideração dos interesses de todos os seres, independentemente da espécie a que pertencem.

No passado, o argumento acerca das experiências com animais ignorou muitas vezes este aspecto porque foi posto em termos absolutos: estaria o adversário das experiências preparado para deixar morrer, de uma doença terrível, milhares de pessoas que podiam ser curadas devido a experiências efectuadas com animais? Trata-se de uma questão puramente hipotética, dado que as experiências não tiveram resultados assim tão espectaculares; mas, se a sua natureza hipotética for clara, penso que a resposta deveria ser afirmativa; por outras palavras, se tivéssemos de fazer experiências com um ou mesmo com uma dúzia de animais para salvar milhares de pessoas, penso que fazê-lo seria um bem e que estaria de acordo com a igualdade na consideração de interesses. Em todo o caso, esta é a resposta que um utilitarista tem de dar. Aqueles que acreditam em direitos absolutos podiam sustentar que é sempre um mal sacrificar :, um ser, quer humano quer animal, em benefício de outro. Nesse caso, a experiência não se deveria efectuar, quaisquer que fossem as suas consequências.

_à pergunta hipotética acerca de salvar milhares de pessoas por intermédio de uma única experiência num animal, os adversários do especismo poderiam responder com uma pergunta hipotética de sua lavra: seriam os cientistas capazes de realizar as suas experiências em seres humanos órfãos com profundas e irreversíveis lesões cerebrais se essa fosse a única forma de salvar milhares de pessoas? (Escolhi "órfãos" para evitar as complicações dos sentimentos dos familiares humanos.) Se os cientistas não forem capazes de utilizar órfãos humanos com lesões cerebrais profundas e irreversíveis, a sua prontidão em utilizar animais não humanos é uma discriminação unicamente com base na espécie, uma vez que os símios, macacos, cães, gatos e até mesmo os ratos são mais inteligentes, têm consciência do que lhes está a acontecer, são mais sensíveis à dor, etc., do que muitos seres humanos com lesões cerebrais profundas que sobrevivem a custo nas enfermarias de hospitais e de outras instituições. Não parecem existir características moralmente relevantes que esses seres humanos possuam e os animais não. Logo, os cientistas revelam-se tendenciosos em favor da sua própria espécie sempre que efectuam as suas experiências em animais não humanos com objectivos que eles próprios pensam que não justificariam o uso de seres humanos com um grau igual ou inferior de senciência, consciência, sensibilidade, etc. Se esse preconceito fosse eliminado, o número de experiências com animais reduzir-se-ia consideravelmente."

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Velho, o Mar e o Lago

O velho somos todos nós. O mar é a vida. O lago, solidão.




Gênero Ficção

Diretor Camilo Cavalcante

Elenco Cosme Soares

Ano 2000

Duração 20 min

Cor P&B

Bitola 35mm

País Brasil

Local de Produção: PE

Ficha Técnica
Produção Andrea Medeiros Co-produção Funarte, LUNI Produções, Imagem Bruta, Labo Cine, CTAV Fotografia Mauro Pinheiro Jr. Roteiro Camilo Cavalcanti Edição André Sampaio Som Direto Osman Assis, Pedro Moreira Direção de Arte Darcel Andrade, Cleonice Veloso Trilha original Sergio Campelo Empresa produtora República Pureza Filmes Edição de som André Sampaio Figurino Paulo Ricardo da Costa Produção Executiva Marcello Maia Montagem André Sampaio Produção de Elenco Paulo Ricardo da Costa


Prêmios
Melhor Curta no Festival de Cuiabá 2000
Melhor Ator no Festival de Recife 2001
Melhor Diretor no Festival de Recife 2001
Melhor Ficção no Festival de Recife 2001
Melhor Fotografia no Festival de Recife 2001
Melhor Direção de Arte no Festival de Vitória 2001
Melhor Fotografia no Festival de Vitória 2001
Melhor Diretor no Festival do Ceará 2001
Melhor Fotografia no Prêmio ABC - Associação Brasileira de Cinematografia 2001
Prêmio do Público no Festival Brasil Plural 2002
Melhor Ator no Festival Guarnicê do Maranhão 2001
Melhor Diretor no Festival Guarnicê do Maranhão 2001
Melhor Ficção no Festival Guarnicê do Maranhão 2001
Melhor Filme no Festival Guarnicê do Maranhão 2001
Melhor Fotografia no Festival Guarnicê do Maranhão 2001
Melhor Ator no Jornada da Bahia 2001
Melhor Diretor no Jornada da Bahia 2001
Melhor Filme de Ficção no Jornada da Bahia 2001
Melhor Montagem no Jornada da Bahia 2001
Melhor Filme no Mostra Curta Cinema 2000