quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Diálogo entre Aaron T. Beck e Dalai Lama: semelhanças entre a filosofia oriental budista e a psicoterapia cognitiva


Aaron T. Beck, M. D. Gotemburgo, 13 de junho de 2005
Cópias em DVD do diálogo estão agora disponíveis. Para encomendar, por favor visite o Beck Institute Store.





Judy Beck e me encontrei com o Dalai Lama, inicialmente em sua sala privada no hotel para uma discussão informal, um par de horas antes do diálogo real pública. Também irão se Paul Salkovskis, Astrid Beskow, e vários de seus próprios representantes, incluindo o seu intérprete de longa data. Inicialmente, apresentei Sua Santidade com uma cópia da revista Life, de 1959, que tinha uma foto da capa dele recebendo buquês de seus simpatizantes americano após sua fuga do Tibete para os Estados Unidos. Ele parecia contente em ver essa imagem muito mais de si mesmo. Eu também lhe presenteou com uma cópia impressa dos Prisioneiros de Ódio. Ele parecia tomada pelo título, que sintetizou o seu próprio ponto de vista que aprisiona o ódio das pessoas que o sentem. Em seguida, ele comentou que deve haver seis bilião prisioneiros no mundo!

Em um nível pessoal, eu o achei carismático, quente, envolvente e muito atento ao que eu tinha a dizer. Ao mesmo tempo, ele parecia manter um distanciamento objectivo, não só comigo mas também com os membros da comitiva. Ele também me impressionou com sua sagacidade e sabedoria e sua capacidade para captar as nuanças de temas muito complexos.

O diálogo foi realizada no Centro de Convenção de Gotemburgo, com cerca de 1400 participantes no Congresso Internacional de Psicoterapia Cognitiva. De acordo com seu desejo expresso, eu comecei o diálogo. Eu comecei a recitar o dúzia principais pontos de semelhança entre o budismo tibetano e terapia cognitiva (listados abaixo). Após recitei quatro ou cinco semelhanças, ele interrompeu com a afirmação de que eles eram tantos como artigos como ele poderia absorver de uma vez.

Meu principal desafio foi a caixa de diálogo para informá-lo sobre a abordagem cognitiva para os problemas humanos sem de modo algum tirar a filosofia geral e de psicologia do budismo. Minha estratégia foi a de encontrar locais adequados, em seu discurso onde eu poderia introduzir conceitos cognitivos que foram importantes de alguma forma para sua linha de pensamento. Tentei representar a abordagem cognitivo como um sistema válido ou disciplina em sua própria direita que se sobrepunham, mas também foi de cortesia ao budismo. Eu também tinha que ser consciente de minha escolha de palavras. Apesar de Sua Santidade é muito fluente em Inglês falando, ele não está familiarizado com palavras mais técnicas, especialmente aquelas para as quais não existem equivalentes tibetano. Por exemplo, ele usou o termo "pensamentos negativos", que eu repeti em detrimento da mais técnico (e precisa) termos cognitivos, como auto-destrutivo pensamentos ou cognições disfuncionais.

Entre os pontos que eu trouxe para cima, que ele então expandiu de seu próprio ponto de vantagem, foi que ambos os sistemas usam a mente para entender e curar a mente. Aceitação e compaixão semelhanças fundamentais. Coisas também, em ambos os sistemas, tentamos ajudar as pessoas com suas overattachment de material e símbolos (de sucesso, etc, algo que chamamos de "vício"). Eu dei um exemplo de caso de um cientista que estava tão deprimida ligado ao sucesso (neste caso, especificamente ganhar um Prêmio Nobel) que ele excluiu todo o resto de sua vida, incluindo a sua família. Eu tinha usado uma estratégia típica cognitiva para dar a perspectiva do paciente. No curso de uma única sessão, ele mudou de opinião e superou sua depressão (pelo menos temporariamente). A resposta do Dalai Lama para esta anedota foi: "Você deve receber o Prémio Nobel da Paz".

Outro ponto que levantei foi a nossa distinção entre dor e sofrimento. Eu sugeri que grande parte do sofrimento das pessoas é baseada no fato de que eles se identificam com a dor. Pessoas que são capazes de separar (a distância ") se da dor e vê-lo mais objetivamente tinha sofrimento significativamente menos (como apontado pelo grupo Tom Sensky em Londres). Sua Santidade parecia entusiasmado com este conceito e, em seguida, disse em uma maneira divertida de que talvez ele poderia usar esse conceito para ajudar a si próprio com sua coceira crônica. (Este comentário meia-sério, é claro, provocou uma grande quantidade de risos da platéia.) Mais tarde, ele se refere à terapia cognitiva como semelhante a "meditação analítica."

Perguntei a Sua Santidade como ele pensou que a sua mensagem poderia realmente ter raiz no mundo. Ele, então, expandiu suas idéias que a educação tinha que ser a resposta. Ele também expressou a sua própria filosofia, que ele descreveu como a ética secular. Apesar de pessoas de diferentes credos poderia abraçar os valores que ele expressa, como a aceitação total de todos os seres vivos, ele não sente que a religião era um instrumento necessário para isso. Ele parecia ecoar o que também é a essência da abordagem cognitiva, ou seja, auto-responsabilidade, em vez de depender de alguma força externa para inspirar as normas éticas. Como acredito que a TC também considera o comportamento ético e moralmente destrutivos, como um problema cognitivo e, portanto, seria a favor de uma moralidade "cognitiva", que mais tarde foi capaz de obter este ponto em toda, mas com palavras diferentes. Quando ele pediu-me para a minha visão da natureza humana, eu respondi que eu concordamos que as pessoas estavam intrinsecamente bom, mas que o fundo de bondade era tão cobertas com camadas e mais camadas de "pensamentos negativos" que um tinha que remover as camadas para a bondade de emergir. Ele expressou a convicção de que o pensamento positivo (com foco em coisas positivas e boas) foi a maneira de neutralizar os negativos na natureza humana. Minha posição foi a de que a melhor maneira de alcançar este objetivo foi identificar os erros e corrigi-los pensar. Depois que concluiu o diálogo, Paul Salkovskis deu um somatório dos temas pendentes que tínhamos coberto.

Desde Astrid Beskow (organizador do prodigioso do evento) foi descoberto por acaso que este foi o seu aniversário, houve uma pequena festa de aniversário, durante a qual foi então dado um grande buquê. Ele então deu Astrid, Paul, e eu um xale de orações budistas. Eu aprendi mais tarde a um intermediário que apreciou o diálogo e que iria pensar sobre vários pontos que eu levantei.

Tudo somado, foi uma experiência emocionante para mim e, pelo que eu ouvi de vários dos participantes, também para o público.

De minhas leituras e discussões com Sua Santidade e budistas, estou impressionado com a noção de que o Budismo é a filosofia e psicologia próximo à terapia cognitiva e vice-versa. Abaixo está uma lista das semelhanças que eu sugeri para o Dalai Lama em nossa reunião privada. Claro, existem muitas estratégias que usamos como teste crenças em experimentos e formulação do caso, que não fazem parte da abordagem budista.

Semelhanças entre Terapia Cognitiva e Budismo

I. Objetivos Serenity, Peace of Mind, Alívio do Sofrimento
II. Valores
(1) importância da aceitação, compaixão, conhecimento, entendimento
(2) Altruísmo versus Egoísmo
(3) Universalismo vs groupism: "Nós somos um com toda a humanidade."
(4) Science vs Superstition
(5) Auto-responsabilidade
III. Causas de perigo:
(1 vieses) Egocentric levando a raiva excessiva ou inadequada, inveja, desejos, etc
(das "toxinas") e falsas crenças ( "delírios")
(2) Subjacente crenças de auto-derrotando que reforçam preconceitos.
(3) Anexar significados negativos para eventos.
IV. Métodos:
(1) Concentre-se no imediato (aqui e agora)
(2) direcionar o pensamento tendencioso por meio de (uma introspecção), (b) A reflexividade, (c) Perspectiva de reféns, (d) Identificação de "tóxicos" crenças, (e) distanciamento, (f) experiências construtivas, (g) Criando "crenças positivas"
(3) uso de imagens
(4) Separar a aflição da dor
(5) a formação da Consciência

Fonte:http://www.beckinstitute.org/Library/InfoManage/Zoom.asp?LookFor=dalai&InfoID=325&RedirectPath=Add&FolderID=212&SessionID={6D629549-06B8-4660-8EE7-086397456388}&InfoGroup=Main&InfoType=Article

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Não Matarás - Documentário questiona experimentos com animais


Não Matarás - Documentário questiona experimentos com animais
Por Afra Balazina 09/05/2006 às 03:44

"Não Matarás" - Documentário lançado sábado no Memorial da América Latina durante congresso sobre educação humanitária, sugere alternativas ao uso de animais no ensino e pesquisa

Trechos do vídeo
Trechos do vídeo


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Documentário mostra bichos com queimaduras, cortes e membros quebrados em experimentos
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"De um lado, ambientalistas, alunos e professores que querem acabar com a utilização de animais em pesquisas, no ensino universitário e em testes de laboratórios. De outro, pesquisadores que afirmam ser impossível por enquanto prescindir dos bichos.
Um documentário com cenas de animais com queimaduras, cortes, olhos costurados e membros quebrados deve ampliar esse debate. Chamado "Não matarás -Os animais e os homens nos bastidores da ciência", o filme foi produzido pelo Instituto Nina Rosa -entidade que luta pela valorização da vida animal.
O documentário, lançado sábado no Memorial da América Latina durante congresso sobre educação humanitária, mostra ratos, coelhos, macacos e cachorros sendo alvos de estudos de laboratórios. Há testes em que produtos são colocados nos olhos de coelhos albinos ou em sua pele (com o pêlo raspado). Alguns animais têm seu sangue usado em experimentos e, outros, são expostos a inseticidas e a perfumes.
As imagens foram todas feitas no exterior. Segundo a ativista Nina Rosa, 62, empresas e universidades brasileiras que utilizam animais não permitiram a entrada da equipe. Além das imagens, há depoimentos de pesquisadores, filósofos, biólogos, médicos, alunos e professores de ciências médicas.
Estima-se, diz ela, que cem milhões de animais morram por ano no mundo em razão dos testes. "Na Europa, a cada três segundos morre um em laboratório."
Segundo ambientalistas, a Inglaterra não usa animais vivos para a formação de médicos desde 1886. Nos Estados Unidos, universidades como Harvard e Yale aboliram a utilização de bichos.
"Não gostamos de sacrificar animais. Mas também seria muito antiético permitir que pessoas não adestradas ou sem preparo cuidassem de humanos", diz Roger Chamas, 41, professor da Faculdade de Medicina da USP.
Segundo ele, os animais precisam ser usados, por exemplo, no treinamento para cirurgias. "Pode-se fazer em modelos de pano ou plástico na fase inicial. Mas o adestramento mais adequado acontece com o uso de cães e porcos, que se aproximam mais da anatomia humana."
A professora Júlia Matera, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, conta no documentário que não usa mais animais vivos em aula. Eram necessários entre 260 e 300 cães ou coelhos por ano. Agora, ela utiliza cerca de 50 cadáveres de bichos.
Os animais mortos, que recebem uma solução para ficarem preservados, podem sofrer, inclusive, mais intervenções dos estudantes do que os animais vivos.
"Antes, ao final do estudo era preciso sacrificar os bichos e isso estressava os alunos. Agora, essa sensação de desconforto não existe mais", afirma Matera.
Segundo o Cobea (Colégio Brasileiro de Experimentação Animal), nos Estados Unidos a experimentação animal contribuiu para um aumento na expectativa de vida de aproximadamente 25 anos desde 1900. "Doenças como a raiva, varicela, artrite reumática tiveram tratamentos determinados em animais", diz o colégio.

----- Alternativas
O documentário sugere alternativas ao uso de animais no ensino. Apresentações de vivissecção (operação feita em animais vivos para estudo de fenômenos fisiológicos) em vídeo e CD-Roms, com modelos em 3D para fazer exercícios, são algumas possibilidades.
Para Nina, o aluno que aprende com a morte de animais fica insensibilizado. "Ele passa a banalizar a morte." E estudantes que não gostam de sacrificar animais dizem que são perseguidos por professores no documentário.
Já na opinião do estudante de veterinária da USP Téo Figueiredo, a aula dessa maneira fica gravada na memória. Ele cita como exemplo a experiência que teve com rato que ingeriu estricnina e, depois, teve crise de convulsão.


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Cura para doenças depende disso, diz pesquisador
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Vacinas, novos medicamentos e tratamentos para doenças como o câncer ainda dependem de testes em animais, afirmam pesquisadores da Fiocruz e de universidades paulistas.
Ana Maria Guaraldo, presidente da comissão de ética na experimentação animal da Unicamp, diz que a utilização de animais na pesquisa biomédica e veterinária deve ser tratada como uma contribuição à saúde humana.
"No ensino, a maior parte das aulas pode ser substituída. Porém, na pesquisa científica, o uso de animais é imprescindível." Segundo ela, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) preconiza a utilização de pelo menos três espécies animais, uma das quais não roedora, em testes de novas drogas.
Segundo o veterinário Carlos Alberto Müller, diretor do centro de experimentação animal da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), nenhum pesquisador trabalha "com prazer" com animal. Mas ele diz que a prática ainda é necessária.
"Se pudesse acabar seria ótimo. Mas não pode. Algo fundamental para a sociedade como o estudo de câncer não se consegue fazer sem o animal."
Ele diz, porém, que os pesquisadores da Fiocruz buscam sempre reduzir o uso de animais e substitui-los quando possível -uma saída é fazer testes em cultura de células.
Os pesquisadores ressaltam, entretanto, que se deve ter bom senso e ética ao usar os animais. "Os bichos não podem ter sofrimento. Deve-se usar anestésico, dar comida de primeira. E os animais de algumas espécies não podem ficar sozinhos porque ficam estressados", diz Ingrid Taricano, chefe do laboratório de pesquisas toxicológicas da Unisa (Universidade de Santo Amaro).

----- Cosméticos
Empresas de cosméticos que atuam no Brasil empregaram mais tecnologia na produção para poder abolir o teste em animais. Segundo Clélia Angelon, sua empresa, a Surya, já obteve o certificado da Vega Action -instituição internacional que atesta os produtos que não têm ingredientes de origem animal e não são testados em animais.
Desde 2000, o Boticário também não realiza mais esse tipo de teste. "Desenvolvemos estudos pré-clínicos, testes in vitro usando a cultura de células e tecidos. Eles nos dão segurança suficiente para, depois, fazermos estudos com pessoas", diz o diretor de pesquisa e inovação Israel Feferman, 48.
A Natura desde 2003 não usa animais para testes de produtos prontos. Entretanto, realizou em 2005 testes de novos ingredientes com 96 animais. "A empresa decidiu que não fará mais testes nos novos ativos e está investindo pesado em alternativas. Neste ano, nenhum foi feito", diz Daniel Gonzaga, diretor de pesquisa da Natura."

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--- Fim do trecho extraído da Folha ---

baixar o vídeo aqui.

Carta para pedido formal de escusa/objeção de consciência em institições de ensino.


Se vc é estudante de Psicologia ou outra área de saúde e não quer fazer experimentos que violem a integridade dos animais deixo aqui um modelo de Pedido de Objeção de Consciência.

Carta para pedido formal de escusa/objeção de consciência em institições de ensino.
Esta carta, de autoria de Anna Paula Abdala, foi retirada do site da Interniche Brasil e lá também está à disposição pra
download.
-> Baixar em formato .doc.
(Clicar com o botão direito do mouse e clicar em "Salvar destino como...")
[UNIVERSIDADE...]
[CENTRO...]
[CIDADE e DATA] De:
Para: Prof.
Assunto: Uso de animais para finalidades didáticas (vivissecção)
Caro Prof. _____________,
Gostaria de respeitosamente informar-lhe que seria uma violação de minha postura pessoal e ética participar de
qualquer atividade que envolva o uso de animais para finalidades didáticas. E isso inclui minha participação nas
práticas exigidas pela disciplina de __________________, da __ª fase desta instituição, na qual o Prof. propõe o uso de
______________ para estudo de ____________________ em aulas práticas.
Por isso, venho praticar meu direito à Objeção de Consciência (1), garantida pela legislação internacional de direitos
humanos, conforme se verifica no artigo 18, primeira parte, da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada
pela Assembléia Geral das Nações Unidas, em 1948, da qual o Brasil é signatário: “Todo homem tem direito à
liberdade de pensamento, consciência e religião”. O Prof. pode perceber que a objeção de consciência faz parte
do conjunto de direitos e garantias do ser humano que tem por finalidade básica o respeito à sua dignidade, por meio de
sua proteção contra o arbítrio do poder estatal e o estabelecimento de condições mínimas de vida e desenvolvimento da
personalidade humana.
Direito este também redigido pela Constituição da República Federativa do Brasil, Capítulo I Dos Direitos e Deveres
Individuais e Coletivos, de 1988, que afirma: Artigo 5º: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza [...],
nos termos seguintes [...]:
VIII – ninguém será privado de direitos por motivos de crença
religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar
para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a
cumprir prestação alternativa, fixada em lei.
Artigo 9º: Nenhum empregado ou servidor poderá sofrer penalidade
funcional, em virtude de declaração de objeção de consciência que
o legitima na recusa da prática ou cooperação na execução de
experimentação animal. Visto que é um direito fundamental do ser humano, que venho exerce-lo agora, não só estou
defendendo os direitos dos animais, como também venho defender um direito meu, pois discordo das maneiras como o
Prof. pretende cursar suas aulas práticas e estou disposta a substituí-las por uma outra metodologia menos cruel para
com os animais.
A Declaração Universal dos Direitos Dos Animais, assinada pelo Brasil em 1978, garante em seu artigo 8°: Artigo 8º
A experimentação animal que implique um sofrimento físico e psicológico é
incompatível com os direitos do animal, quer se trate de experimentações médicas,
cientificas, comerciais ou qualquer outra forma de experimentação.
2. As técnicas experimentais alternativas devem ser utilizadas e desenvolvidas. Além disso, posso discorrer sobre a
Lei 9.605, que entrou em vigor no dia 30 de março de 1998, cujo grande mérito foi o de assegurar os direitos dos
animais transformando em crime práticas de vivissecção em todo território nacional, caso não sejam adotados métodos
alternativos, conforme seu artigo 32, §1°: Artigo 32: Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais
silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos:
Pena – detenção, de três meses a um ano, e multa.
§ 1º – Incorre nas mesmas penas quem realiza experiência dolorosa
ou cruel em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos,
Sociedade Vegetariana Brasileira - Grupo Porto Alegre
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quando existirem recursos alternativos.
§ 2º – A pena é aumentada de um sexto a um terço, se ocorre morte
do animal. E ainda temos A lei federal nº 6.638, de 08 de maio de 1979 que veda a vivissecção (artigo 3°) nas seguintes
hipóteses: a) sem o emprego de anestesia;
b) em centros de pesquisas e estudos não registrados em órgão competente;
c) sem a supervisão de técnico especializado;
d) com animais que não tenham permanecido mais de 15 (quinze) dias em biotérios
legalmente autorizados;
e) em estabelecimentos de ensino de 1º e 2º graus e em quaisquer locais
freqüentados por menores de idade. Posso acreditar então, que o uso de animais de rua, como o Prof. pretende, é crime
e compreende pena de dez dias a um mês ou multa, conforme o artigo 64, § 1° da Lei das Contravenções Penais. (OBS.
MANTER ESTE ARGUMENTO NO CASO DE ANIMAIS RETIRADOS DE RUAS)
Com o advento de materiais de software, realidade virtual, modelos anatômicos fabricados especialmente para o
exercício dessas práticas ou até mesmo a utilização de cadáveres quimicamente preservados, muito utilizados pela
USP, posso adquirir o conhecimento que a disciplina exige nesse semestre. A USP (Faculdade de Medicina Veterinária
e Zootecnia), adota o método Laskowski, que consiste no treinamento de técnica cirúrgica em animais que tiveram
morte natural, a UNIFESP utiliza ratos de PVC nas aulas de microcirurgia, a UNB utiliza simulação computadorizada, a
FMUZ utiliza cultivo de células vivas etc. Existem vários estudos comprovando a seriedade de tais materiais e
demonstrando que ao seguir esses métodos, o aluno aprenderá tanto quanto se utilizassem modelos vivos. (OBS.
ENTRAR EM CONTATO COM A INTERNICHEBRASIL PARA SABER DOS MODELOS ALTERNATIVOS)
Ao contrário do que muitos pensam, esses materiais não são caros e podem ser conseguidos facilmente.Podem ter um
custo mais elevado em curto prazo, mas como são modelos facilmente conserváveis, podem ser utilizados muitas
vezes, por todos os alunos que cursarem a disciplina, o que abrange um maior número de pessoas e garante o
conhecimento adquirido, já que permite ao aluno praticar novamente o estudo quantas vezes achar necessário.
Acredito que a utilização de animais vivos em aulas práticas de nossa Universidade não deveria ocorrer da maneira
como vêm acontecendo. Os animais têm direitos e é preciso respeita-los. Eles padecem de dor e sofrimento,
reconhecem um ambiente hostil e sabem distinguir entre o que é bom ou mal. O conhecimento através do sofrimento é
incabível, porque permite que alguns sofram para que outros possam viver.
Outro motivo relevante é a dessensibilização estudantil, que se caracteriza, principalmente, pelos alunos terem os
animais como máquinas e os usarem como lhes convêm. Essa situação é muito comum na (UNIVERSIDADE) e deve
sofrer modificações. Cursamos a faculdade de (CURSO) e devemos perceber os animais como criaturas passíveis de dor
e desejos assim como nós, e não como meros seres, objetos de estudo e meios para se elevar na carreira profissional.
Sei que existem outras pessoas que não concordam com suas aulas práticas, mas que não se expõe por medo de suas
represálias ou de professores futuros. Decidi realizar esse pedido formalmente porque sei que meus direitos são
assegurados pela Constituição e que não sofrerei penalidades por acreditar na causa animal, pois seria um equívoco ético
se eu não me opusesse à vivissecção.
Afirmo novamente que estou disposta à procurar estudar o assunto através de algum outro método que não seja este
proposto pela disciplina. Solicito encarecidamente que este assunto abordado pela disciplina possa ser acessado
através de métodos alternativos ou de qualquer outra atividade que não envolva o uso de animais, garantindo assim
que minhas convicções éticas sejam respeitadas e que não seja prejudicada no conteúdo da disciplina. Para tanto, me
disponibilizo a procurar me informar dos métodos alternativos ou atividades que possam vir a substituir tais práticas.
Gostaria de obter uma resposta por escrito, se possível.
Obrigada pela atenção e compreensão,
NOME E ASSINATURA
CONTATO

(1) Bárbara Giacomini Ferrari, em sua monografia Experimentação Animal: Aspectos Históricos, éticos, legais e o direito à
objeção de consciência, apresentada à Faculdade de Direito da Instituição Toledo de Ensino, conceitua “a objeção de
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consciência como sendo o comportamento individual e não violento de rechaço ao cumprimento de dever legal por
motivo de consciência, com intenção imediata de alcançar isenção pessoal, a qual pode, ou não, vir a ser reconhecida pela
ordem jurídica mediante a conciliação das normas jurídicas em conflito. (...) A objeção de consciência distingue-se da
Desobediência Civil à medida que, por meio desta, primeiramente, busca-se persuadir as autoridades da necessidade
de reforma normativa ou de mudança da política governamental. Busca-se, também, convencer a opinião pública, e,
assim, trata-se de um recuso pedagógico das minorias para o esclarecimento das maiorias”.
Sociedade Vegetariana Brasileira - Grupo Porto Alegre

Um capítulo da história das ciências psi que não podemos esquecer




Engenharia da tortura
André Levy* - 09.09.07

"A tortura na prisão de Abu Ghraib pelas mãos das forças ocupantes dos EUA, tornada pública em 2004 em dezenas de terríveis fotos, foi eventualmente condenada pela Administração Bush, mas reduzida a um acto isolado, umas poucas maças ruins. Doze soldados foram condenados por incumprimento e a comandante da prisão, Janis Karpinski, foi demovida de brigadeira-general a coronel. Houve, porém, quem tivesse desde logo reconhecido, na cabeça encapuçada em combinação com a extensão forçada dos braços, técnicas que há muito fazem parte do espólio de tortura da CIA, indicação que não se tratava da acção de alguns militares fora de controlo, mas de um instância de um programa mais vasto, bem conhecido das altas patentes.

Estas técnicas foram fruto de um programa da CIA, desenvolvido entre 1950 a 1962, ao som de mais de um mil milhão de dólares, com vista a descodificar a consciência humana para fins de persuasão de massas e coerção em interrogações individuais[1]1. Foram inicialmente ensaiados todo o tipo de métodos: electrochoques, LSD, mescalina, pentatol de sódio (soro da verdade) e outras drogas. Nada resultava para quebrar a vontade sob interrogação. Encomendaram então estudos às grandes universidades de Harvard, Princeton, Yale e McGill, dando início a uma estreita participação de académicos na aplicação da ciência para quebrar a espírito e destruir a mente humana.

O psicólogo Donald O. Hebb, da Universidade de McGill e mais tarde presidente da Associação dos Psicólogos da América[2] 2, descobriu que é possível induzir o estado de psicose e alucinações no prazo de 48 horas simplesmente através de privação sensorial. No Centro Médico da Universidade de Cornell, dois neurologistas estudaram os efeitos de dor auto-infligida e verificaram que numa pessoa obrigada a ficar de pé os fluidos começam a acumular-se nas pernas provocando inchaço e lesões, dá-se o colapso da função renal, e sofrem-se alucinações. Esta era a base da tortura do sono infligida pela PIDE/DGS. Leia-se a propósito os sintomas descritos por António Gervásio em resultado dos 18 dias de tortura do sono [3]3. A combinação destas duas técnicas – desorientação sensorial e dor auto-infligida – estabeleceu-se como a assinatura da tortura ao estilo da CIA, e foram codificadas em 1963 no Manual de Contra-Inteligência KUBARK[4]4.

No pós-onze de Setembro, a CIA contratou dois psicólogos, James Elmer Mitchell e Bruce Jessen, para alargar e modernizar o seu repertório de tortura. A prisão de Guantánamo foi o primeiro palco de ensaios, mas as novas técnicas foram rapidamente transpostas para Abu Ghraib, Bagram e restantes locais obscuros (black sites) de detenção estadunidenses espalhadas pelo mundo[5]5. Mitchell e Jessen aplicaram engenharia reversa a um programa de treino militar destinado a preparar soldados a resistirem a interrogatórios casos fossem presos em combate. Durante este programa, conhecido como SERE (Sobrevivência, Evasão, Resistência e Escape), os soldados são sujeitos a tortura acústica, privação sensorial, isolamento, dor auto-infligida, tortura de sono, simulacros de execução, tapume de água (waterboarding) – no qual o individuo é imobilizado e encapuçado e água é-lhe despejada na cabeça simulando afogamento – e outras técnicas semelhantes às aplicadas actualmente aos detidos nas prisões estadunidenses[6]6. A tortura psicológica que não deixa marca física mas é mais lesiva e duradoura tornou-se prática corrente.

Sob o comando do Major-General Geoffrey Miller, em 2002, as equipas de interrogação em Guantanamo passaram a integrar psiquiatras e psicólogos. Estas equipas de consulta nas ciências de comportamento, ou "Biscuit" (BSCTs: Behavioral Science Consultation Teams) elaboram programas personalizados de interrogatório, identificando pontos psicológicos de maior fraqueza, específicos para cada interrogado, como o medo do escuro, ou ligação à família. É então que se torna prática corrente os ataques à sensibilidade cultural – incluindo religiosa, como a dessacralização do Corão – e à sensibilidade sexual e de género – despir o preso e colocá-lo nu junto com outros presos, incluindo em posições simulando actos sexuais.

Em Março de 2002, foi apreendido no Paquistão um dos primeiros detidos de alta patente, Abu Zubaydah. Foi transportado para a Tailândia, onde foi inicialmente interrogado pelo FBI. Sendo uma organização policial, os agentes do FBI são treinados para extrair informação que possa ser usada em tribunal: a técnica de interrogação baseia-se na criação de laços de cumplicidade com o detido, sem uso de coerção. Após o interrogatório do FBI, Abu Zubaydah revelou o nome de um dos alegados organizadores dos ataques do onze de Setembro, Khalid Sheikh Mohammed (Mukhtar), e identificou José Padilla. Quando o então director da CIA, George Tenet, soube que não era a CIA que estava a conduzir o interrogatório, enviou de imediato uma sua equipa, que incluía Mitchell e o psicólogo-chefe do centro de contra-terrorismo, o Dr. R. Scott Shumate.

Seguindo as orientações de Mitchell, os interrogadores da CIA explicaram então a Zubaydah que iram tornar-se o seu novo Deus, que iria perder todos os seus privilégios se não coopera-se. Foi isolado e os interrogadores entravam na sua cela uma vez por dia limitando-se a afirmar "Sabes o que queremos", e voltando a sair. Zubaydah deixou de colaborar, como havia feito com o FBI, levando Mitchell a concluir que só falaria após ser quebrado psicologicamente. A equipa da CIA começou então a construir um caixão na sala de interrogatório, indicando que iriam enterrar Zubaydah vivo. Shumate opôs-se a tais técnicas e abandou a equipa, mas Mitchell e a restante equipa sentiam-se legitimados pelos pareceres legais dos advogados da Casa Branca. Em 2002, o Procurador-geral Assistente, Jay Bybee, havia redigido um memorando concluindo que "para ser qualificada como tortura, a dor física deve ser equivalente à dor acompanhando danos físicos severos, tais como perda de função de um orgão, ou mesmo morte", e que para dor mental constituir tortura "deve resultar em dano psicológico significativo de longa duração, e.g., durando meses ou mesmo anos": uma definição que efectivamente abre a porta ao uso generalizado de tortura psicológica.

Libertos da supervisão de Shumate, os interrogadores usaram as técnicas SERE de Mitchell, incluindo ruído branco, deixando Zubaydah nu, e reduzindo a temperatura ao ponto do seu corpo se tornar azul[7]7. O FBI excluiu-se de interrogações coercivas, uma decisão marcante que entregou à CIA o controlo completo das interrogações e ditou que estas visariam não um processo jurídico, mas um programa de detenção e captura à margem da lei.

A prática de tortura não só era conhecida e orquestrada pelas mais altas instâncias da CIA, forças militares e governo estadunidense, como esta foi criteriosamente desenvolvida e propagada com um nível de planeamento, sofisticação e articulação com peritos científicos que fazem lembrar o grotesco envolvimento de médicos nos campo de concentração e extermínio nazis. À sua prática acresce a duplicidade da Administração que publicamente condena o uso de tortura, mas prescientemente define limitações às interrogações com linguagem suficientemente ambígua para que esta continue a ser aplicada.

Os EUA ratificaram, em 1990, a Convenção Anti-Tortura das NU, mas o Congresso impôs reservas, efectivamente excluindo referências à tortura psicológica, embora seja reconhecido que esta forma de tortura deixa cicatrizes mais profundas e duradouras que a tortura física. Em Dezembro de 2005, na ressaca do escândalo em Abu Ghraib, o Senador John McCain – prisioneiro de guerra durante a Guerra no Vietnam – redigiu o Acto de Tratamento de Detidos, proibindo o tratamento desumano de detidos, mas a legislação foi posteriormente esvaída de efeito por emendas – incorporando as definições de Bybee, permitindo que informação obtida por tortura seja usada em tribunal – e suplantada pela interpretação oficial de George Bush, que estipula uma prerrogativa presidencial no uso de tortura para prevenir ataques terroristas – é a tese da contagem decrescente dramatizada em séries televisivas como o "24". Em Outubro de 2006, aprovou-se o Acto das Comissões Militares autorizando o executivo a instituir tribunais militares para julgar "combatentes inimigos" e a detê-los indefinidamente sem direito a habeas corpus. O acto inclui também um emenda ao Acto de Crimes de Guerra que efectivamente iliba políticos e militares (incluindo a CIA) de serem processados judicialmente por crimes de guerra, como uso de tortura. Em Julho deste ano, Bush emitiu uma ordem executiva que autoriza a CIA a retomar o uso de tortura psicológica e determinadas técnicas, como tapume de água, privação sensorial e de sono, uso de cães e isolamento.

A prática de tortura já seria suficientemente grave, mas a conduzida na "Guerra ao Terrorismo" tem sofisticação científica. Em 2005, começaram a vir à superfície indícios do envolvimento de profissionais da área da saúde nos interrogatórios. A Associação de Médicos da América, a Associação de Psiquiatras da América e outras organizações condenaram o uso de tortura e proibiram, em 2006, os seus membros de participar em interrogatórios. O Conselho Executivo da APA2, porém, considerou que a presença de psicólogos a título de supervisão do interrogatório e das condições de detenção permitira evitar abusos e assegurar a saúde mental dos detidos. Opositores da direcção colocavam que mesmo participação a esse nível implica o assentimento de eventuais abusos de direitos humanos e judiciais, pelo que a proibição deveria ser absoluta. Vários membros da APA – associação com cerca de 148 mil membros – suspenderam o seu pagamento de quotas em protesto[8]8. O presidente da APA, Ron Levant, criou um grupo de trabalho de Ética Psicológica e Segurança Nacional (PENS) [9]9, cuja composição foi mantida secreta, para avaliar o carácter ético da participação de psicólogos. O grupo concluiu que a participação de psicólogos "num papel consultivo na interrogação e recolha de informação para fins relacionados com segurança nacional é consistente com o Código de Ética da APA", reiterando a posição que a sua presença garante que "esse processos sejam seguros e éticos para todos os participantes". Mais tarde, um dos membros do grupo de trabalho revelou que 6 dos seus 9 membros tinham ligação com agências militares ou de inteligência. Alguns tinham mesmo participado na uso e desenvolvimento das técnicas SERE: o Coronel Larry James fora o Psicólogo Chefe em Guantánamo em 2003 e acompanhou o General Miller quando este foi transferido para Abu Ghraib com o fim de aí instituir as técnicas de tortura; o Coronel Banks havia ensinado tácticas de interrogação abusiva em Guantánamo; o Capitão Bryce Lefever, psicólogo do programa SERE, fora destacado para o Afeganistão em 2002 aí ensinado interrogadores.

Um relatório do Gabinete do Inspector Geral do Departamento de Defesa (OIG) [10]10 foi desclassificado, em Maio de 2006, que descreve em detalhe a participação de psicólogos na transferência de técnicas do SERE para interrogação de detidos na "Guerra ao Terrorismo". O relatório refere o treino de interrogadores, o envolvimento nos BSCTs, e o papel central de psicólogos nos interrogatórios, não deixando dúvida sobre a responsabilidade destes especialistas no desenvolvimento de técnicas de tortura e das condições de detenção. Alguns transcritos de interrogações, como a de Kahtani, o vigésimo sequestrador do onze de Setembro, documentam como os psicólogos orientavam os interrogadores sobre como intensificarem a pressão, como explorarem fraquezas[11]11.

Em Agosto de 2007, teve lugar o congresso da APA[2]2, que incluiu no seu programa um conjunto de discussões sobre a participação de psicólogos em interrogatórios. Porém, a maior parte dos painéis, destinados a informar e esclarecer os membros do Conselho Executivo da APA, tiveram lugar depois deste se ter reunido para votar as propostas de alteração ao código de ética. O conselho executivo rejeitou uma proposta de condenação frontal do uso de tortura e que proibiria os seus membros de participar na interrogação de detidos[12]12, tendo aprovado antes uma resolução mais limitada que proíbe o envolvimento em interrogatórios que envolvam métodos específicos[13]13. A linguagem desta resolução, porém, contem escapatórias em todo semelhantes à legislação referida acima, que manterá as portas abertas à participação de psicólogos. O mais grave é ter-se ficado aquém de uma condenação taxativa do uso de tortura e do envolvimento de psicólogos. Está em causa, primeiramente, a moralidade da sua participação. Mas mesmo do ponto de vista da sua eficácia, devemos questionar o valor de informação e confissões obtidas sob tortura, particularmente após tortura psicológica.
Jose Padilla, inicialmente acusado de planear a detonação de uma bomba nuclear "suja" dentro dos EUA, foi condenado a 16 de Agosto de 2007, por conspiração para cometer assassinato na Bósnia, Kosovo e Tchetchénia. Padilla foi apreendido em 2002, declarado combatente inimigo, detido num navio-prisão e mantido em isolamento extremo durante 43 meses. Apesar da sua cidadania estadunidense, durante 2 anos foi-lhe negado acesso a um advogado e não foi formalmente acusado. A psiquiatra forense Angela Hegarty, que teve oportunidade de entrevistar Padilla e avaliar a sua saúde mental, concluiu que o que se passou no navio-prisão foi a destruição da uma mente humana[14]14. Mantido em isolamento, sem relógio ou calendário, sem luz natural e luz artificial permanente, sujeito a ruído branco, frequentemente sem colchão para dormir ou algemado na sua cela, a saúde mental de Padilla foi severamente afectada, tendo evidências de sofrer alucinações e ataques de pânico. Hegarty encontrou mesmo indícios de Síndroma de Estocolmo, a identificação do preso com os seus detentores: Padilla pediu-lhe que contactasse o Presidente Bush para o ajudar e mostrou-se irritado, quando os seus advogados o defenderam, declarando que estes haviam sido "injusto para o comandante-em-chefe". É natural perguntar qual o valor de informação extraída de um detido de tal forma destroçado psicologicamente.


Notas:
1 -«A Question of Torture: CIA Interrogation, from the Cold War to the War on Terror», de Alfred McCoy, 2006, Metropolitan Books
2 -American Psychological Association (APA)
3 -Ver excerto da sua intervenção no tribunal plenário criminal da Boa Hora, em 1972, publicado no «A Defesa Acusa», edições Avante!
4-http://www.gwu.edu/%7Ensarchiv/NSAEBB/NSAEBB122/#kubark
5-São conhecidos centros permanente ou temporários na Albânia, Alemanha, Arábia Saudita, Azerbaidjão, Chipre, Bulgária, Diego Garcia (ilha no mar Índico), Dinamarca, Egipto, El Salvador, Escócia, Filipinas, Guiné Equatorial, Hungria, Indonésia, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbia, Marrocos, Nigéria, Paquistão, Polónia, Roménia, Tailândia, União dos Emiratos Árabes, Uzbequistão, e ilhas no Pacífico.
6 -«The Experiment» de Jane Mayer , 11 de Julho 2005 New Yorker
7-«Rorschach and Awe» de Katherine Eban, 17 de Julho 2007, Vanity Fair (online)
8-http://www.withholdapadues.com/9-Psychological Ethics and National Security (PENS) task force
10-Office of the Inspector General
11-Entrevista a Mark Benjamin, em DemocracyNow.org, 25 de Junho de 2007
12-Vejam o site da organização Psicólogos por uma APA Ética; http://www.ethicalapa.com/
13-Tapume de água, humiliação sexual, violação sexual, humiliação cultural ou religiosa, exploração de fobias ou psicopatologias, indução de hipotermia, uso de drogas psicotrópicas, encapuçamento, nudez, posições de stress, uso de cães para intimidação, assaltos físicos, exposição a frio e calor extremo, ameaça de morte, isolamento e/ou privação de sono usado de modo a representar dor ou sofrimento significativo ou de forma que uma pessoa razoável julgue causar dano duradouro, ou ameaça de uso de quaisquer destas técnicas sobre o detido ou membro da sua família. Texto completo da resolução em http://www.apa.org/releases/councilres0807.html
14-Entrevista em DemocracyNow.org, 16 de Agosto de 2007"

domingo, 18 de outubro de 2009

Série Pensadores Lev Vygotsky II

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Série Pensadores Lev Vygotsky

Esse é um vídeo da Série Pensadores sobre Lev Vygotsky que vou postando aos poucos porque tratá-se de uma entrevista longa com uma estudiosa da obra de Vygotsky.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O que é Bullying?



Vídeo de Daniele Vuoto do blog:

Gestos ajudam a desenvolver inteligência Pesquisa mostra novas possibilidades na relação corpo-pensamento

"Ao entrar em um café movimentado, você provavelmente verá pessoas conversando e gesticulando. Um homem no balcão indica o café que deseja ─ xícara média, ─ e suas mãos assumem um formato familiar, mostrando o tamanho da xícara. Ao lado dele, duas irmãs riem. Enquanto uma delas conta uma história sobre sua viagem a Fernando de Noronha e todos os peixes que viu nos mergulhos que fez, suas mãos sacodem e se movem rapidamente no mar invisível à sua frente. O instinto de gesticular acompanhando a fala é fundamental para a natureza humana.

Se você já questionou o porquê dos gestos, provavelmente pensou que gesticulamos para auxiliar na compreensão do que estamos querendo dizer. Indicar o tamanho de uma xícara ou a dose de uma bebida pode ajudar o balconista a entender exatamente o que você deseja. Mostrar onde o peixe se escondeu ou a velocidade com que ele se movimentou pode ajudar a amiga a criar uma imagem mais exata da sua percepção dos recifes locais.

Mas, será que os gestos podem ter também outra finalidade? Muitos cientistas acreditam que os gestos podem ajudar o interlocutor e os movimentos das mãos ajudam a pensar. Cientistas se interessam cada vez mais pela relação corpo-pensamento, ou como nosso corpo dá forma a processos mentais abstratos. Os gestos estão no centro dessa questão. O debate se concentra no papel do movimento na aprendizagem, e nas pesquisas sobre como os alunos aprendem a resolver problemas de matemática na sala de aula.



A titulo de ilustração, considere o problema da soma: 3 + 2 + 8 = _ + 8. Um aluno pode criar uma forma de “v”, com o indicador e o dedo médio, entre os algarismos 2 e 3, enquanto tenta entender o conceito de “agrupamento”, somando os números adjacentes, técnica que pode ser usada para resolver o problema.

Pesquisas anteriores mostraram que quando foi solicitado aos alunos para gesticular enquanto conversassem sobre problemas, aprenderam a resolvê-los de forma mais eficiente. Isso foi verificado, independentemente de se dizer aos alunos quais gestos fazer ou se os gestos eram espontâneos.Agora a questão é: como isso acontece? O novo estudo, conduzido por Susan Goldin-Meadow e Zachary Mitchell, da University of Chicago, e por Susan Wagner-Cook, da University of Iowa, teve como foco a resolução de problemas matemáticos por alunos de terceira e quarta séries do ensino básico. Os alunos treinados a utilizar a forma de “v”, ao resolver um problema como 3 + 2 + 8 = __ + 8, aprenderam a solucioná-lo com maior eficácia. Além disso, os alunos apresentaram melhor desempenho mesmo se treinados a empregar a forma de “v” em pares de números errados. Pelo simples ato de fazer o gesto o corpo sugere o conceito de “agrupamento”.

A questão então é: qual teria sido exatamente o procedimento que permitiu isso? Durante o estudo, todos os alunos memorizaram a frase “Quero deixar um lado igual ao outro”. Na ocasião, foi solicitado que os alunos dissessem a frase em voz alta quando fosse apresentado um problema a ser resolvido. Os autores sugerem que os alunos que gesticularam também tentaram criar uma correlação entre a fala e os gestos de forma a unir os dois significados. Esse procedimento poderia consolidar o novo conceito de “agrupamento” na mente dos alunos.O mesmo processo poderia ocorrer em qualquer situação em que a pessoa que fala e gesticula tenta entender, seja relembrando detalhes de eventos passados ou imaginando como montar uma bicicleta recém retirada da embalagem.O estudo tem implicações importantes para o campo da Psicologia Cognitiva.

Historicamente, esse campo entende conceitos (os elementos básicos do pensamento), como representações abstratas que não contam com a fisicalidade. Essa noção, conhecida como dualismo cartesiano, agora está sendo desafiada por outra linha de pensamento, chamada Cognição Corporal, que entende conceitos como representações corporais baseadas na percepção, ação e emoção. Embora muitas evidências sustentem a visão da Cognição Corporal, até agora nunca existiu um relato detalhado baseado em experimentos de como a incorporação dos gestos desempenha um papel na aprendizagem de novos conceitos.


O estudo também tem implicações práticas aos professores didáticas, que podem reformular sua didática para ensinar aos alunos novos conceitos utilizando gestos. Os resultados desse estudo podem não valer para os gestos feitos em bares e cafés que você costuma frequentar, no entanto, na próxima vez que conversar com uma amiga gesticuladora, pode ser interessante considerar como o movimento das mãos contribuem para dar forma aos pensamentos dela e aos seus."

Fonte: http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/gestos_ajudam_a_desenvolver_inteligencia.html