segunda-feira, 11 de julho de 2011

O cuidador de idosos




“Aquele que envelhece e que segue atentamente esse processo poderá observar como, apesar de as forças falharem e as potencialidades deixarem de ser as que eram, a vida pode, até bastante tarde, ano após ano e até ao fim, ainda ser capaz de aumentar e multiplicar a interminável rede das suas relações e interdependências e como, desde que a memória se mantenha desperta, nada daquilo que é transitório e já se passou se perde.” (Hermann Hesse).


A população brasileira envelhece e com isso aumenta a demanda por pessoas capacitadas para exercer a função de cuidador de idosos, por esse motivo vamos falar um pouco do papel deste profissional em instituições asilares e nas famílias. Cuidar é um termo que logo nos remete a dedicação, cautela, atenção, carinho e responsabilidade para com o outro, portanto é um ato de amor.

De acordo com a classificação brasileira de ocupações, o cuidador é alguém que “cuida a partir dos objetivos estabelecidos por instituições especializadas ou responsáveis diretos, zelando pelo bem-estar, saúde, alimentação, higiene pessoal, educação, cultura, recreação e lazer da pessoa assistida” (Guia Prático do Cuidador, 2008). Deste modo, não é apenas cuidar da saúde física e das necessidades básicas, ser cuidador implica estar atento às necessidades, inclusive emocionais, daqueles que, em muitos casos, mal podem se comunicar. É estar disponível e atento a falas e gestos, é aceitar o outro como ele é com suas dores e limitações.

Não são todas as pessoas aptas para desempenhar o papel de cuidador. Um bom cuidador não faz para o idoso, faz com o idoso, e está sempre pronto para identificar o que ele consegue realizar sozinho em matéria de autocuidado, isso é importante para não atropelar o idoso e para estimular a sua autonomia e autoestima. Ser carinhoso é desejável, pessoas idosas se beneficiam de afeto em forma de contato físico, mas não se deve esquecer que estamos diante de uma pessoa idosa e não de uma criança, a “infantilização” provoca dependência, regressão e desqualifica o idoso, preconceitos como: “depois de velho voltamos a ser crianças” devem ser desfeitos, os idosos são pessoas adultas como nós, porém um pouco mais envelhecidas. É importante também incluir a pessoa idosa nas conversas, não é porque ele possui limitações físicas ou mentais que não possua nenhuma compreensão.

Algumas das funções dos cuidadores de idosos de acordo com o Guia Práttico do Cuidador distribuído pelo Ministério da Saúde são: atuar como elo entre a pessoa cuidada, a família e a equipe de saúde; escutar, estar atento e ser solidário com a pessoa cuidada; ajudar nos cuidados de higiene; estimular e ajudar na alimentação; ajudar na locomoção e atividades físicas, tais como: andar, tomar sol e exercícios físicos; estimular atividades de lazer e ocupacionais; realizar mudanças de posição na cama e na cadeira, e massagens de conforto; administrar as medicações, conforme a prescrição e orientação da equipe de saúde; comunicar à equipe de saúde sobre mudanças no estado de saúde da pessoa cuidada; além de outras situações que se fizerem necessárias para a melhoria da qualidade de vida e recuperação da saúde dessa pessoa.

Exercer a função de cuidador pode fazer emergir sentimentos contraditórios decorrentes da relação do cuidador com a pessoa cuidada como, por exemplo: raiva, culpa, cansaço, estresse, irritação, tristeza, medo da morte e da invalidez. È importante que o cuidador procure aceitar e entender seus sentimentos para que então possa se automonitorar, no sentido de não deixar que interfiram negativamente no serviço prestado.
Algumas situações podem surgir e dificultar o trabalho do cuidador, quando um idoso se recusa a comer ou a tomar banho, por exemplo, neste caso é importante saber lidar com frustrações e procurar entender o que leva o idoso a este comportamento, também é preciso estar disposto à negociação como mesmo.

“O “não”, “não quero” ou “não posso”, pode indicar várias coisas, como por exemplo: não quero ou não gosto de como isso é feito, ou agora não quero, vamos deixar para depois? O cuidador precisa ir aprendendo a entender o que essas respostas significam e quando se sentir impotente ou desanimado, diante de uma resposta negativa, é bom conversar com a pessoa, com a família, com a equipe de saúde. Também é importante conversar com outros cuidadores para trocar experiências e buscar alternativas para resolver essas questões.” Manuel do Cuidador.


Geralmente, nas famílias, a responsabilidade para com o idoso que necessita de cuidado recai sobre um dos membros, ocorrem mudanças na dinâmica familiar que podem provocar desentendimentos, para evitar o estresse e cansaço é importante que outras pessoas da família participem deste processo. O cuidador sobrecarregado pode sofrer com o cansaço físico, com a depressão, o abandono do trabalho e com alterações de sua vida conjugal e familiar, ele necessita de tempo para se cuidar e por esse motivo precisa contar com a ajuda de outras pessoas.

Com relação aos dispositivos sociais para o auxilio do cuidador de idosos, estes podem promover e participar de grupos com outros cuidadores para a troca de experiências. Os indivíduos ou as famílias que estão em situação de risco ou vulnerabilidade social devem contar com o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), aqueles que tiveram seus direitos violados como: ocorrência de abandono, maus tratos físicos, e/ou psíquicos, abuso sexual, pessoas em situação de rua, dentre outras, devem contar com o CREAS ( Centro de Referência Especializado de Assistência Social) que auxilia na eliminação das infrações aos direitos humanos e busca ampliar a autonomia e a capacidade de enfrentamento das pessoas que procuram o serviço.

As pessoas idosas que não possuem rendimento mínimo para arcar com a sua sobrevivência possuem o direito a Proteção Social Básica, isto é, um salário mínimo por mês a ser requerido nas agências do INSS, possui esse direito às pessoas 65 anos ou mais e pessoas com deficiência, quem não tem direito à previdência social, pessoa com deficiência que não pode trabalhar e levar uma vida independente e renda familiar inferior a 1/4 do salário mínimo. Além disso, o idoso não necessita de intermediário para requerer e receber o benefício e é importante ressaltar que tanto as pessoas idosas quanto os cuidadores devem procurar conhecer o Estatuto do Idoso que foi instituído em 2003 e regula os direitos das pessoas com mais de 60 anos.

Referências:

Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde. Guia prático do cuidador. Brasília: Ministério da Saúde, 2008. 64 p. Brasil. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_pratico_cuidador.pdf>.

Ministério da Saúde. Estatuto do Idoso. Brasília: Ministério da Saúde, 2003. 70 p. ISBN 85-334-0740-8 1. Saúde do Idoso. 2. Legislação. I. Brasil. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_pratico_cuidador.pdf>.

Centro de Referência Especializado de Assistência Social – CREAS. Disponível em:
http://www.saoluis.ma.gov.br/semcas/frmPagina.aspx?id_pagina_web=308

Centro de Referência de Assistência Social – CRAS. Disponível em: http://www.mds.gov.br/assistenciasocial/protecaobasica/cras

Veja também:

1.Violência contra idosos é responsável por 27% das internações no SUS

2.O Homem Velho (Caetano Veloso)

terça-feira, 22 de março de 2011

FILOSOFIA DA LINGUAGEM – UMA ENTREVISTA COM JOHN SEARLE



SEARLE, John. Filosofia da Linguagem: uma entrevista com John Searle. Revista Virtual de Estudos da Linguagem - ReVEL. Vol. 5, n. 8, março de 2007. Tradução de Gabriel de Ávila Othero. ISSN 1678-8931 [www.revel.inf.br].

FILOSOFIA DA LINGUAGEM – UMA ENTREVISTA COM
JOHN SEARLE
John Searle
Universidade da Califórnia, Berkeley


ReVEL – O que é a Filosofia da Linguagem? Como ela se relaciona com a Lingüística e com a Filosofia?
Searle – A questão mais geral em Filosofia da Linguagem é a seguinte: como exatamente a linguagem se relaciona com a realidade? Quando faço barulhos com minha boca, estou tipicamente fazendo uma declaração, uma pergunta, um pedido ou uma promessa, ou estou ainda desempenhando um outro tipo de ato de fala, um tipo que Austin batizou de ato ilocucionário. Como isso é possível, já que tudo o que sai da minha boca não passa de um conjunto de sopros
acústicos? Outra maneira de fazer essa mesma pergunta é assim: o que exatamente é o significado? Como um falante diz algo e torna esse algo significativo pelo que diz? Qual é o significado das palavras em uma língua, onde as palavras têm um significado convencional? O motivo pelo qual as perguntas “como a linguagem se relaciona com a realidade?” e “o que é o significado?” são variantes da mesma questão é que a função do significado é relacionar a linguagem com a realidade. Ao responder a essas perguntas, a Filosofia da Linguagem tem de lidar com todo um conjunto de outras questões, tais como: o que é a verdade? O que é a
referência? O que é a lógica? O que são relações lógicas? O que é o uso da língua e como o uso se relaciona ao significado? E por aí vai, com um grande número de outras perguntas, tanto tradicionais como novas. Não há uma linha divisória bem delimitada entre a Filosofia da Linguagem e a Lingüística, mas em geral pode-se dizer que a Lingüística lida com fatos reais
empíricos sobre as línguas humanas. A Filosofia da Linguagem também lida com fatos empíricos, mas geralmente a proposta é atingir certas características universais subjacentes do significado e da comunicação e, especialmente, analisar a estrutura lógica da referência, da necessidade de verdade, dos atos de fala, etc. E essas análises não são dadas simplesmente analisando fatos sobre esta ou aquela língua particular. As relações da Filosofia da Linguagem com a Filosofia em geral são também bastante complexas. Por um longo tempo, muita gente pensou que toda a
Filosofia era, na verdade, a Filosofia da Linguagem, porque se pensava que todas as questões filosóficas poderiam ser resolvidas analisando a linguagem. Acredito que muito poucas pessoas ainda pensam assim, mas a Filosofia da Linguagem continua sendo uma parte importante da Filosofia em geral. O motivo por que a Filosofia da Linguagem não é central como já foi há,
digamos, cinqüenta anos, é que muitos filósofos – eu mesmo, por exemplo – passaram a pensar que a Filosofia da Linguagem é, em si mesma, dependente de resultados da Filosofia da Mente. A linguagem é uma extensão de capacidades biológicas fundamentais da mente humana.
ReVEL – Qual é a relação entre linguagem e pensamento?
Searle – É impossível responder a essa pergunta em espaço tão curto, mas certas considerações gerais podem ser mencionadas. Muitas pessoas acham que é impossível ter pensamento sem linguagem, mas isso está claramente errado. Temos agora uma enorme quantidade de evidências de que os animais são capazes de apresentar pelo menos algumas formas simples de processos de
pensamento. No entanto, formas mais complexas de pensamento exigem algo como a linguagem humana. Então, os seres humanos têm pensamentos de uma maneira que os animais não têm. Um animal poderia sair de um labirinto de uma maneira que mostraria que ele pode compreender a diferença entre um, dois, três e quatro caminhos, mas sem a linguagem, um animal não pode saber que a raiz quadrada de 625 é 25. Existe, literalmente, um número infinito de pensamentos que só podem ser expressos com a linguagem, e a área de pensamento que pode ser feita sem a linguagem é bastante restrita.
ReVEL – O senhor teve grande participação no desenvolvimento da teoria dos atos de fala e nas origens da Pragmática. Como o senhor vê suas contribuições hoje?
Searle – Eu não gosto muito do termo “Pragmática”, porque ele sugere uma distinção rigorosa entre Pragmática e Semântica, e eu não acredito que essa distinção possa ser feita. Contudo, eu acredito que o estudo dos atos de fala e o estudo do uso da linguagem é absolutamente essencial para a Lingüística e para a Filosofia da Linguagem. Acredito que não seja possível começar a
compreender o que é a linguagem ou como ela funciona sem ver que a unidade fundamental do significado é o que o falante quer dizer ao produzir um enunciado e que a unidade fundamental de enunciados significativos é o ato de fala, especificamente, o ato ilocucionário, como referido originalmente nos primeiros trabalhos de Austin.
ReVEL – O seu argumento do “quarto chinês” contra a Inteligência Artificial forte já é clássico. Mas há várias críticas a ele. Quais são os principais argumentos dos críticos e como o senhor responde a eles?
Searle – Existem tantos argumentos contra o argumento do quarto chinês que eu não conseguirei resumi-los aqui. Todos eles falham basicamente pela mesma razão: eles falham em compreender o que é um computador digital. Um computador digital, como descrito originalmente por Alan Turing, é um mecanismo que manipula dois tipos de símbolos, normalmente imaginados como zeros e uns. Qualquer símbolo, no entanto, servirá. O motivo por que tal mecanismo falha em produzir, sozinho, consciência, intencionalidade e significado é que as propriedades do mecanismo são definidas puramente de maneira formal ou sintática, e a sintaxe dessas operações não é, por si só, suficiente para garantir a presença de semântica ou de significado. No quarto chinês, o homem tem toda a sintaxe que os programadores de computador
podem fornecer a ele, mas ele ainda não sabe o que as palavras significam. E se ele não compreende as palavras com base na implementação do programa de compreensão, então nenhum outro computador digital irá compreender sozinho com essa base, porque nenhum computador digital, sendo justamente um computador digital, tem algo que esse homem não tem.
ReVEL – Como um experiente filósofo, o senhor poderia sugerir algumas leituras essenciais na área de Filosofia da Linguagem?
Searle – Para uma boa coleção geral de artigos sobre a Filosofia da Linguagem,
veja os seguintes:
Austin, How to Do Things with Words, Cambridge, MA: Harvard University
Press, 1962.
Grice, Studies in the Way of Words, Cambridge: Harvard University Press,
1989.
Martinich, A. P, The Philosophy of Language 4th edition, Oxford University
Press, 2001.
Searle, Expression and Meaning, Cambridge University Press, 1979.
Searle, Speech Acts, Cambridge University Press, 1969.

Fonte: http://www.pessoal.utfpr.edu.br/paulo/revel_8_entrevista_john_searle.pdf

sexta-feira, 11 de março de 2011

Bendita dúvida!

Fixar a mente em uma meta única pode ser contraproducente; com certeza, traçar objetivos é importante, mas questioná-los pode ser decisivo para obter sucesso

Autor:Way Herbert

Manter o foco para atingir objetivos. Essa é uma das orientações que mais se ouvem nos cursos de treinamento de profissionais das mais diversas áreas e se leem em livros de gestão empresarial e até nos manuais de autoajuda. É preciso estabelecer metas claras, mas, principalmente, é fundamental ter força de vontade. Este último conceito, aliás, é bastante enfatizado nos programas de recuperação de dependentes químicos, nos quais as pessoas devem se comprometer com o desejo de se manter afastadas da adicção. Ou seja: é preciso estar disposto a se recuperar – e focar nesse ponto.

Mas agora talvez a ciência possa ajudar. O psicólogo Ibrahim Senay, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, descobriu uma forma intrigante de criar em laboratório uma versão de obstinação e disposição – e explorar possíveis conexões com a intenção, motivação e estabelecimento de metas. Ele identificou algumas características necessárias não só para abstinência de longo prazo, mas também para atingir qualquer objetivo pessoal, desde perder peso até aprender a tocar violão.
Senay conseguiu esse resultado explorando a “autoconversação”. A acepção do termo é exatamente essa: trata-se daquela voz interna que articula aquilo que você está pensando, expondo em detalhes opções, intenções, esperanças, medos etc. O pesquisador acredita que a forma e o sentido dessa conversa consigo mesmo expressos na estrutura da frase podem ter grande importância na formulação de planos e ações. Além disso, a autoconversação deve ser uma ferramenta para revelar intenções e reafirmar o que desejamos.

Senay testou esse conceito com um grupo de voluntários que trabalhavam com anagramas – por exemplo, mudando a palavra “prosa” para “sopra, ou “fala” para “alfa”. Mas, antes de começar a tarefa, metade dos voluntários era instruída a ponderar se de fato queria e achava que cumpriria a tarefa, enquanto a outra parte simplesmente era informada de que ia trabalhar nos anagramas em alguns minutos. A diferença é sutil, mas marcante, pois ao começarem a atividade os primeiros voltavam seu pensamento à curiosidade (não só em relação à tarefa, mas também à própria disposição em realizá-la); já os integrantes do segundo grupo basicamente se predispunham a cumprir o que lhes seria pedido. Seria a mesma diferença entre se perguntar “será que vou fazer isso?” e afirmar “eu vou fazer isso”.

Os resultados foram intrigantes. As pessoas que antes haviam se questionado sobre o desejo de participar do trabalho se mantiveram mais criativas, motivadas e interessadas nele, completando um número significativamente maior de anagramas, em comparação ao dos voluntários que apenas foram instruídos a cumprir a atividade. Por que as intenções de pessoas tão determinadas – e sem muito espaço para questionamentos – sabotam metas preestabelecidas em vez de favorecê-las? “Talvez porque as perguntas, por sua própria natureza, transmitem a ideia de possibilidade e liberdade de escolha, e meditar sobre elas pode estimular sentimentos de autonomia e motivação intrínseca, criando uma mentalidade que favorece o sucesso”, sugere Senay. Ou seja: saber que não somos “obrigados” a algo nos coloca numa posição de maior responsabilidades sobre nossos atos.

Senay elaborou outro experimento para analisar a questão de forma diferente: recrutou voluntários sob o pretexto de que estavam sendo convocados para um estudo sobre caligrafia. Alguns deveriam escrever as palavras “Eu quero ” várias vezes; e outros, “Será que eu quero?”. Depois de preparar os voluntários com essa falsa tarefa de caligrafia, Senay pediu que trabalhassem nos anagramas. E, exatamente como no caso anterior, os participantes mais determinados (que haviam escrito a frase afirmativa) tiveram pior desempenho que aqueles que tinham redigido a sentença interrogativa.

Pouco depois, Senay realizou mais uma versão desse experimento, mas dessa vez claramente relacionado a hábitos de vida saudável. Em vez de propor o uso de anagramas, avaliou a intenção dos voluntários de iniciar e manter um programa de exercícios físicos. Nesse cenário real ele obteve o mesmo resultado básico: aqueles que escreveram a frase interrogativa “Será que eu quero?” mostraram comprometimento muito maior com a prática regular de exercícios do que os que escreveram no início do teste a frase afirmativa “Eu quero.”.

Além disso, quando foi perguntado aos voluntários se achavam que estariam mais motivados a ir à academia com maior frequência, os que foram preparados com a frase interrogativa justificaram declarando, por exemplo: “Quero cuidar mais de minha saúde”. Aqueles que escreveram a frase afirmativa deram explicações como: “Porque me sentiria culpado ou envergonhado de mim mesmo se não o fizesse”, mostrando-se mais perseguidos e culpados do que realmente comprometidos.

Esta última descoberta é crucial: indica que pessoas mais flexíveis, com menor receio de rever os próprios conceitos, estavam mais intimamente motivadas, buscando uma inspiração positiva interior – e não tentando prender-se a um padrão rígido, autoimposto em algum momento. Essa inspiração interna faltou aos aparentemente “mais decididos”, o que explica, pelo menos em parte, a fraca determinação para futuras mudanças, ainda que vantajosas a médio prazo. Considerando a recuperação de dependentes químicos e o autoaperfeiçoamento, em geral, aqueles que declaravam sua força de vontade sem contestações estavam, na verdade, fechando a mente e estreitando sua visão de futuro. Aqueles que se perguntavam sobre os rumos a seguir e conjecturavam possibilidades reafirmavam sua escolha – e se comprometiam com ela.

Way Herbert é diretor da Association for Psychological Science, nos Estados Unidos.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/bendita_duvida_.html

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Experiências com animais: do livro Ética Prática de Peter Singer.




"A área onde o especismo pode ser estudado com maior clareza talvez seja a da utilização de animais em experiências. Neste caso, a questão surge com toda a crueza, porque os cientistas procuram muitas vezes justificar as experiências com os animais defendendo que as experiências nos levam a descobertas sobre a humanidade; se assim é, o cientista tem de concordar que os animais humanos e não humanos são semelhantes em aspectos cruciais. Por exemplo, se forçar um rato a escolher entre morrer de fome e atravessar uma grelha electrificada para obter comida nos diz algo sobre as reacções dos seres humanos ao *stress*, temos de pressupor que o rato sente *stress* neste tipo de situação.

As pessoas pensam por vezes que todas as experiências com animais servem para objectivos médicos vitais e se podem :, justificar com base na ideia de que aliviam mais sofrimento do quer aquele que causam. Esta crença confortável está errada. As empresas farmacêuticas testam novos champôs e cosméticos que tencionam lançar no mercado deitando gotas de soluções concentradas desses produtos nos olhos de coelhos, um teste conhecido pelo nome de "teste de Draize". (A pressão exercida pelos movimentos de libertação dos animais levou diversas empresas de cosméticos a abandonar esta prática. Descobriu-se então um teste alternativo que não recorre aos animais. Apesar disso, muitas empresas, incluindo algumas das maiores, ainda continuam a efectuar o teste de Draize.) Os aditivos alimentares, incluindo corantes e conservantes artificiais, continuam a ser testados por aquilo a que se chama o _D_L50 -- um teste concebido para determinar a "dose letal" ou o nível de consumo que provoca a morte de 50 |" dos animais da amostra. Neste processo, quase todos os animais ficam muito doentes antes de alguns morrerem por fim e outros sobreviverem. Estes testes não são necessários para evitar o sofrimento humano: mesmo que não houvesse alternativa à utilização de animais para ensaiar a segurança de certos produtos, já possuímos champôs e corantes alimentares que cheguem. Não há necessidade de desenvolver novos produtos que podem ser perigosos.

Em muitos países, as forças armadas efectuam experiência atrozes em animais que raramente se tornam conhecidas do público. Para citar apenas um exemplo: no Instituto de Radiobiologia das Forças Armadas dos Estados Unidos, em Bethesda, no estado de Maryland, treinaram-se macacos *rhesus* para correrem no interior de uma grande roda. Se abrandarem demasiado a corrida, a roda também desacelera e os macacos recebem um choque eléctrico. Depois de os macacos estarem treinados para correr durante grandes períodos de tempo recebem doses letais de radiação. Então, enquanto têm náuseas e vomitam, são forçados a continuar a correr até caírem. A ideia deste teste é proporcionar informações sobre a capacidade dos soldados para continuar a lutar após um ataque nuclear.

Nem todas as experiências efectuadas nas universidade podem ser defendidas com base na ideia de que aliviam maior sofrimento do que aquele que infligem. Três investigadores da :, Universidade de Princeton mantiveram 256 ratos jovens sem comer nem beber até morrerem. Concluíram que os ratos jovens em condições de sede e de fome fatais são muito mais activos que os ratos adultos normais que recebem comida e água. Numa série célebre de experiências que prosseguiram por mais de quinze anos, H. F. Harlow, do Centro de Investigações sobre os Primatas, de Madison, estado de Wisconsin, Estados Unidos, criou macacos em condições de privação material e de isolamento total. Descobriu que desta forma podia reduzir os macacos a um estado em que, quando colocados entre macacos normais, ficavam acocorados a um canto num estado de depressão e medo constantes. Harlow também produziu macacos tão neuróticos que esmagavam o rosto dos seus bebés no chão e o esfregavam para a frente e para trás. Embora o próprio Harlow já não esteja vivo, alguns dos seus antigos alunos de outras universidades americanas continuam a efectuar variantes das suas experiências.

Nestes casos, e em muitos outros como estes, os benefícios para a humanidade são ou nulos ou incertos, enquanto as perdas para os membros de outras espécies são certas e reais. Daqui que as experiências violem o princípio da igualdade na consideração dos interesses de todos os seres, independentemente da espécie a que pertencem.

No passado, o argumento acerca das experiências com animais ignorou muitas vezes este aspecto porque foi posto em termos absolutos: estaria o adversário das experiências preparado para deixar morrer, de uma doença terrível, milhares de pessoas que podiam ser curadas devido a experiências efectuadas com animais? Trata-se de uma questão puramente hipotética, dado que as experiências não tiveram resultados assim tão espectaculares; mas, se a sua natureza hipotética for clara, penso que a resposta deveria ser afirmativa; por outras palavras, se tivéssemos de fazer experiências com um ou mesmo com uma dúzia de animais para salvar milhares de pessoas, penso que fazê-lo seria um bem e que estaria de acordo com a igualdade na consideração de interesses. Em todo o caso, esta é a resposta que um utilitarista tem de dar. Aqueles que acreditam em direitos absolutos podiam sustentar que é sempre um mal sacrificar :, um ser, quer humano quer animal, em benefício de outro. Nesse caso, a experiência não se deveria efectuar, quaisquer que fossem as suas consequências.

_à pergunta hipotética acerca de salvar milhares de pessoas por intermédio de uma única experiência num animal, os adversários do especismo poderiam responder com uma pergunta hipotética de sua lavra: seriam os cientistas capazes de realizar as suas experiências em seres humanos órfãos com profundas e irreversíveis lesões cerebrais se essa fosse a única forma de salvar milhares de pessoas? (Escolhi "órfãos" para evitar as complicações dos sentimentos dos familiares humanos.) Se os cientistas não forem capazes de utilizar órfãos humanos com lesões cerebrais profundas e irreversíveis, a sua prontidão em utilizar animais não humanos é uma discriminação unicamente com base na espécie, uma vez que os símios, macacos, cães, gatos e até mesmo os ratos são mais inteligentes, têm consciência do que lhes está a acontecer, são mais sensíveis à dor, etc., do que muitos seres humanos com lesões cerebrais profundas que sobrevivem a custo nas enfermarias de hospitais e de outras instituições. Não parecem existir características moralmente relevantes que esses seres humanos possuam e os animais não. Logo, os cientistas revelam-se tendenciosos em favor da sua própria espécie sempre que efectuam as suas experiências em animais não humanos com objectivos que eles próprios pensam que não justificariam o uso de seres humanos com um grau igual ou inferior de senciência, consciência, sensibilidade, etc. Se esse preconceito fosse eliminado, o número de experiências com animais reduzir-se-ia consideravelmente."

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Velho, o Mar e o Lago

O velho somos todos nós. O mar é a vida. O lago, solidão.




Gênero Ficção

Diretor Camilo Cavalcante

Elenco Cosme Soares

Ano 2000

Duração 20 min

Cor P&B

Bitola 35mm

País Brasil

Local de Produção: PE

Ficha Técnica
Produção Andrea Medeiros Co-produção Funarte, LUNI Produções, Imagem Bruta, Labo Cine, CTAV Fotografia Mauro Pinheiro Jr. Roteiro Camilo Cavalcanti Edição André Sampaio Som Direto Osman Assis, Pedro Moreira Direção de Arte Darcel Andrade, Cleonice Veloso Trilha original Sergio Campelo Empresa produtora República Pureza Filmes Edição de som André Sampaio Figurino Paulo Ricardo da Costa Produção Executiva Marcello Maia Montagem André Sampaio Produção de Elenco Paulo Ricardo da Costa


Prêmios
Melhor Curta no Festival de Cuiabá 2000
Melhor Ator no Festival de Recife 2001
Melhor Diretor no Festival de Recife 2001
Melhor Ficção no Festival de Recife 2001
Melhor Fotografia no Festival de Recife 2001
Melhor Direção de Arte no Festival de Vitória 2001
Melhor Fotografia no Festival de Vitória 2001
Melhor Diretor no Festival do Ceará 2001
Melhor Fotografia no Prêmio ABC - Associação Brasileira de Cinematografia 2001
Prêmio do Público no Festival Brasil Plural 2002
Melhor Ator no Festival Guarnicê do Maranhão 2001
Melhor Diretor no Festival Guarnicê do Maranhão 2001
Melhor Ficção no Festival Guarnicê do Maranhão 2001
Melhor Filme no Festival Guarnicê do Maranhão 2001
Melhor Fotografia no Festival Guarnicê do Maranhão 2001
Melhor Ator no Jornada da Bahia 2001
Melhor Diretor no Jornada da Bahia 2001
Melhor Filme de Ficção no Jornada da Bahia 2001
Melhor Montagem no Jornada da Bahia 2001
Melhor Filme no Mostra Curta Cinema 2000

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Axiomas da Teoria Cognitiva



Karl Popper propôs que uma teoria consistente e rigorosa deveria ser formulada em um sistema de axiomas independentes e não contraditórios. Os axiomas da teoria que orienta a Terapia Cognitiva são dez:

"1. O principal caminho do funcionamento ou da adaptação psicológica consiste de estruturas de cognição com significado, denominadas esquemas. "Significado" refere-se à interpretação da pessoa sobre
um determinado contexto e da relação daquele contexto com o self.

2. A função da atribuição de significado (tanto a nível automático como deliberativo) é controlar os vários sistemas psicológicos (p.ex., comportamental, emocional, atenção e memória). Portanto, o significado ativa estratégias para adaptação.

3. As influências entre sistemas cognitivos e outros sistemas são interativas.

4. Cada categoria de significado tem implicações que são traduzidas em padrões específicos de emoção, atenção, memória e comportamento. Isto é denominado especificidade do conteúdo cognitivo.

5. Embora os significados sejam construídos pela pessoa, em vez de serem componentes preexistentes da realidade, eles são corretos ou incorretos em relação a um determinado contexto ou objetivo. Quando ocorre distorção cognitiva ou preconcepção, os significados são disfuncionais ou maladaptativos (em termos de ativação de sistemas). As distorções cognitivas incluem erros no conteúdo cognitivo (significado), no processamento cognitivo (elaboração de significado), ou ambos.

6. Os indivíduos são predispostos a fazer construções cognitivas falhas específicas (distorções cognitivas). Estas predisposições a distorções específicas são denominadas vulnerabilidades cognitivas. As vulnerabilidades cognitivas específicas predispõem as pessoas a síndromes específicas; especificidade cognitiva e vulnerabilidade cognitiva estão inter-relacionadas.

7. A psicopatologia resulta de significados maladaptativos construídos em relação ao self, ao contexto ambiental (experiência), e ao futuro (objetivos), que juntos são denominados de tríade cognitiva. Cada síndrome clínica tem significados maladaptativos característicos associados com os componentes da tríade cognitiva. Todos os três componentes são interpretados negativamente na depressão. Na ansiedade, o self é visto como inadequado (devido a recursos deficientes), o contexto é considerado perigoso, e o futuro parece incerto. Na raiva e nos transtornos paranóides, o self é visto como sendo maltratado ou abusado pelos outros, e o mundo é visto como injusto e em oposição aos interesses da pessoa. A especificidade do conteúdo cognitivo está relacionada desta maneira á tríade cognitiva.

8. Há dois níveis de significado: (a) o significado público ou objetivo de um evento, que pode ter poucas implicações significativas para um indivíduo; e (b) o significado pessoal ou privado. O significado pessoal, ao contrário do significado público, inclui implicações, significação, ou generalizações extraídas da ocorrência do evento. O nível de significado pessoal corresponde ao conceito de "domínio pessoal".

9. Há três níveis de cognição: (a) o pré-consciente, o não-intencional, o automático (pensamentos automáticos); (b) o nível consciente; e (c) o nível metacognitivo, que inclui respostas "realísticas" ou "racionais" (adaptativas). Estas têm funções úteis, mas os níveis conscientes são de interesse primordial para a melhora clínica em psicoterapia.

10. Os esquemas evoluem para facilitar a adaptação da pessoa ao ambiente, e são neste sentido estruturas telenômicas. Portanto, um determinado estado psicológico (constituído pela ativação de sistemas) não é nem adaptativo nem maladaptativo em si, apenas em relação a ou no contexto do ambiente social e físico mais amplo no qual a pessoa está."

BECK, Aaron; ALFORD, Brad. O Poder Integrador da Terapia Cognitiva. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000. p. 24.


Veja também:

1:A Terapia Cognitiva

2:A concepção de ser humano na Terapia Cognitiva: uma breve análise de seus pressupostos filosóficos e epistemológicos.

domingo, 28 de novembro de 2010

A concepção de ser humano na Terapia Cognitiva: uma breve análise de seus pressupostos filosóficos e epistemológicos.



Toda psicoterapia possui uma concepção de ser humano e para compreendermos a concepção de homem da Terapia Cognitiva é necessário analisar os pressupostos filosóficos e epistemológicos que a constitui. Deste modo, são duas as principais influências da Terapia Cognitiva: Construtivismo e o Racionalismo Crítico.

O termo construtivismo segundo Castañon (2005), vem do verbo latino struere que significa estruturar, organizar. No entanto, dizer-se construtivista, ainda nos dá uma vaga noção do isto significa, porque são muitos os construtivismos e os construtivistas. Além de Aaron Beck, fundador da Terapia Cognitiva, outros nomes em psicoterapia de abordagens bem diferentes também se auto-referem nesta perspectiva:
“como o neo-behaviorista Albert Bandura, o cognitivista Jerome Bruner, o humanista Joseph Rychlak, o fenomenólogo-existencial Viktor Frankl, o relativista pós-moderno Kenneth Gergen e o construtivista radical Ernst von Glasersfeld.” (Castañon, 2005, p.2).


Apesar das várias tendências, as psicoterapias construtivistas compartilham alguns pressupostos filosóficos tais como: o papel ativo do sujeito no processo de obtenção de conhecimento: em que as nossas representações não são determinadas pelo meio, além da influência deste e de nosso aparato biológico, nossas representações são construídas por nós; e a não neutralidade: nossas observações são feitas através de nossos construtos teóricos e de nossas hipóteses.

No processo terapêutico o construtivismo está presente em um dos principais pressupostos da terapia cognitiva:
“O significado que uma pessoa atribui a uma situação, ou a forma como um evento é estruturado (ou construído) por uma pessoa, teoricamente determina como aquela pessoa se sentirá e se comportará.” (Beck e Alford, 2000, p. 30).

Assim é o Contrutivismo: “Uma visão de seres humanos como agentes ativos que, individual e coletivamente, constroem o significado de seus mundos experenciais”. (Neimeyer, 1993, citado por Beck, Alford, 2000 p. 30)

O Racionalismo Crítico é uma escola de filosofia da ciência fundada por Karl Popper, e é considerada responsável por refutar o Positivismo Lógico ou Neo-positivismo, outra escola em filosofia que resgata o Positivismo fundado por Augusto Comte. O Racionalismo Crítico influi tanto nos critérios de cientificidade adotados pela Terapia Cognitiva, como também na concepção de homem e sua relação com a realidade, a verdade e o conhecimento, além do desenrolar da terapia em si.

O pressuposto básico a ser levado em conta com relação ao Racionalismo Crítico é que a realidade possui uma racionalidade intrínseca que pode ser representada por nós de maneira mais aproximada ou menos aproximada. Não há neutralidade, pois toda observação é realizada a luz de uma teoria ou de uma hipótese, o que não significa que nossas teorias determinam o real ou que nada existem além delas (relativismo), elas são uma forma acessarmos o real, portanto o Racionalismo Crítico é realista (por oposição ao idealismo), há uma realidade externa e independente de nós, e é construtivista, pois nosso acesso à realidade não se dá de forma objetiva (Popper, 1934/1975 citado por Castañon, 2005, p.6) por necessitar de uma mediação. No Racionalismo Crítico não há critério de verdade, esta é evidenciada quando há correspondência de nossas representações aos fatos, e os nossos erros, nossas predileções que não se confirmam, demonstram a existência de uma realidade independente, sendo assim, para um racionalista crítico “é quando erramos que tropeçamos na realidade” (Castañon, 2005, p.6).

A articulação do Construtivismo e do Racionalismo Crítico pode ser observada neste trecho do livro “O poder integrador da Terapia Cognitiva” de Aaron T. Beck e Brad A. Alford (2000):

"Em contextos sociais mais amplos onde as realidades fenomenológicas se cruzam, há múltiplas realidades pessoais bem como uma realidade ou contexto físico objetivo dentro do qual residem as realidades subjetivas. Essas realidades são igualmente reais, no sentido de que são parte do que existe.”(p. 31).


Na Terapia Cognitiva, tanto o terapeuta como o cliente, possuem um papel ativo no processo terapêutico, o cliente é encorajado a tomar posse de suas representações, elaborar hipóteses e testá-las verificando-as em sua experiência, o que permite ao cliente atribuir novos significados a suas vivencias, mais realistas e funcionais.
"Resumidamente, o modelo cognitivo propõe que o pensamento distorcido ou disfuncional (que influencia o humor e o comportamento do paciente) seja comum a todos os distúrbios psicológicos. A avaliação realista e a modificação no pensamento produzem uma melhora no humor e no comportamento." (Beck Judith S., 1997, p.17)


O terapeuta por sua vez também formula conceituações de caso, através delas ele elabora suas hipóteses sobre a realidade psíquica do cliente, estas hipóteses são testadas ao serem apresentadas e discutidas com o mesmo. Sendo assim, o objetivo fundamental da Terapia Cognitiva é desenvolver a autonomia do cliente para que este se torne seu próprio terapeuta.

Referências:

Beck, A. T.; BRAD, A. B. 2000. O poder integrador da terapia cognitiva. Porto Alegre: Artmed.

Beck, J. 1997.Terapia cognitiva: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed.

CASTANON, Gustavo Arja. Construtivismo e terapia cognitiva: questões epistemológicas. Rev. bras.ter. cogn. [online]. 2005, vol.1, n.2, pp. 31-42. ISSN 1808-5687. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1808-5687200500020000
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